Rio de janeiro
Agenda Inovação Setembro -   Outubro    -     Novembro   Avançar Voltar 2020 -   2021 Avançar
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • 01
  • 02
  • 03
  • 04
  • 05
  • 06
  • 07
  • 08
  • 09
  • 10
  • 11
  • 12
  • 13
  • 14
  • 15
  • 16
  • 17
  • 18
  • 19
  • 20
  • 21
  • 22
  • 23
  • 24
  • 25
  • 26
  • 27
  • 28
  • 29
  • 30
Apoio Financeiro e Editais

Notícias

Especialistas defendem mais recursos para pesquisas

A necessidade de ampliar os investimentos em ciência, tecnologia e inovação sintetizou o primeiro encontro regional do Fórum Técnico Minas Gerais pela Ciência, realizado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta segunda-feira (9/3/20), em Juiz de Fora (Zona da Mata). Idealizado em parceria com mais de 30 instituições da área, o encontro foi na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), um dos centros de pesquisa e produção científica da região.

 

O objetivo do fórum é elaborar um Plano Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento socioeconômico do Estado. Entre as sugestões priorizadas pelos participantes em Juiz de Fora, estão, por exemplo, destinar recursos do ICMS ecológico para as pesquisas relacionadas à tecnologia, inovação, meio ambiente e sustentabilidade.

 

Outra proposta priorizada é criar rede de pesquisa sobre diversificação econômica em municípios mineradores. Também sugerem que o Estado aplique parte dos recursos arrecadados com a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem).

 

Incentivar a criação de políticas regionais para fixação de profissionais capacitados nas áreas de tecnologias, visando atender as demandas de inovação dos setores produtivos regionais foi outra sugestão considerada prioritária.

 

Os participantes foram divididos em dois grupos que avaliaram os seguintes subeixos: estrutura da política de ciência, tecnologia e inovação no Estado de Minas Gerais; cidades inteligentes, sustentáveis e criativas; políticas públicas para o desenvolvimento social; e biomas e bioeconomia, água, energia, mineração, agropecuária e agricultura familiar. Eles avaliaram propostas pré-definidas coletivamente pelo evento e apresentaram novas sugestões.

 

O grupo 1 discutiu 35 propostas, aprovando 24 delas na forma original e apresentando alterações nas outras 11. Os integrantes aprovaram ainda seis novas propostas. Já o grupo 2 avaliou 27 sugestões e sugeriu mudanças em 11 delas. Oito novas foram apresentadas pelos debatedores.

 

Região subaproveita potencial tecnológico

 

A região da Zona da Mata possui centros de ensino e pesquisa de reconhecida qualidade. O palestrante do encontro, Ignácio José Godinho Delgado, diretor de Inovação da UFJF e do Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (CRIT) cita, como exemplos, as universidades federais de Juiz de Fora (UFJF) e de Viçosa (UFV); o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais (Ifsemg); o Instituto de Laticínios Cândido Tostes, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig); a Embrapa Gado de Leite, unidade Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária; e as unidades de pesquisas da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

 

De acordo com o especialista, no entanto, o conhecimento produzido na região não é aproveitado pela maioria das empresas nela localizada. Normalmente, as pesquisas desenvolvidas na Zona da Mata acabam sendo utilizadas por organizações de fora. A região acaba, também, exportando muitos profissionais formados em suas instituições.

 

Na opinião de Ignácio Delgado, a saída para a recuperação do desenvolvimento da Zona da Mata está na ciência, tecnologia e inovação. “ Temos uma ampla rede de pesquisa que pode dinamizar a economia regional”. Ele explica que há um potencial latente na área da saúde, tanto para produção de medicamentos, quanto de equipamentos.

 

A Zona da Mata já foi a região mais rica do Estado. Na década de 1930, contribuía com 70% da arrecadação estadual; atualmente representa apenas 8% do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas. É a única região que ostenta uma balança comercial negativa. Juiz de Fora, principal cidade da área, é a 52ª cidade de Minas em exportações e a segunda em importações. “Da merenda escolar da cidade, apenas 4% é adquirida de produtores locais”, lamenta Ignácio Delgado.

 

O declínio econômico acompanhou a queda do café, a partir de 30. Até então, Juiz de Fora mantinha sua economia centrada na cultura do produto, que era alavancada pelo sistema bancário, que alimentava a indústria especialmente de alimentos e têxtil.

 

O professor sugere uma aproximação da academia com os produtores tradicionais que ainda resistem na região, como forma de alavancar o desenvolvimento regional. Também defende a implantação de projetos estruturantes de tecnologia e inovação que aproveitem as vocações locais para abrir novas demandas de mercado, especialmente nas áreas de saúde e educacional.

 

Redução de recursos é criticado por participantes

 

A queda nos investimentos em ciência, tecnologia e inovação no País e em Minas foi duramente criticada por participantes da abertura do fórum em Juiz de Fora. O professor Ignácio Delgado lembrou que 67% da pesquisa universitária é financiada pelo Estado. “Isso precisa ser recuperado”.

 

A diretora do Centro de Pesquisas René Rachou- Fiocruz Minas, Zélia Maria Profeta da Luz relatou que instituições como Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) estão com sérios problemas financeiros. “Há uma situação no país e em Minas Gerais de desmonte da ciência e tecnologia de modo generalizado”, lamentou.

 

O deputado Betão, o vereador de Juiz de Fora, Wanderson Castelar Gonçalves, e o vice-presidente da Câmara Municipal de Viçosa, Sávio José, todos do PT, também lamentaram o descaso dos governos federal e estadual com a área. “Temos um ministro da Educação que a todo momento ataca a produção de conhecimento”, criticou o deputado.

 

Castelar e a deputada federal Margarida Salomão (PT/MG), que preside a Frente Parlamentar em Defesa da Universidade, sustentaram que a CTI seja amparada por uma política de Estado. “Não podemos deixar o assunto tão valioso submetido a situações de governo”, argumentou a parlamentar

 

Margarida Salomão lembrou que Minas Gerais possui 11 universidades federais, 5 institutos federais, além de muitos centros técnicos, todos de formação e desenvolvimento tecnológico.

 

Zélia Profeta complementou que o Brasil é dos mais importantes polos de pesquisa do mundo e citou alguns casos de inovações que beneficiaram todo o planeta, como a descoberta da relação entre o vírus da zika e o surto de microcefalia e o mapeamento da doença de Chagas. O sequenciamento do genoma do coronavírus por duas cientistas brasileiras também foi exaltado por Margarida Salomão.

 

Para o reitor da UFJF, Marcus Vinicius David, Minas tem condições de basear o desenvolvimento do estado na ciência e tecnologia. “Não existe projeto de nação com desenvolvimento econômico sustentável que não passe pela aproximação das universidades com o setor empresarial e com o suporte dos governos”.

 

O fórum – Depois de Juiz de Fora, outras oito cidades farão os encontros regionais. De 27 a 29 de maio, representantes eleitos em cada encontro participam da etapa final, em Belo Horizonte, para definir e aprovar o documento definitivo.

 

A presidenta da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da ALMG, deputada Beatriz Cerqueira (PT) explicou que esse fórum é diferenciado porque é propositivo. As sugestões que farão parte do documento final serão totalmente construídas coletivamente pelos participantes. Ela elogiou a ALMG pela dedicação ao encontro.

 

A deputada leu uma mensagem do presidente da Casa, Agostinho Patrus (PV), que exalta a importância que a ALMG têm dado ao tema. “O estabelecimento de políticas públicas depende, em todos os âmbitos, do bom emprego das tecnologias e de seu uso, cada vez mais inseriods no cotidiano de cada indivíduo”, defendeu o presidente.

 

 

 

(Fonte: Assembleia Legislativa MG - 10/03/20)

Instituições Associadas

ABIFINA
ABIMO
ABINEE
ABIQUIM
ALANAC
FIEMG
IPD FARMA
SEBRAE