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Entrevistas

Marc Giget

01/03/2010 - Inovação tecnológica gera qualidade de vida

O doutor em Economia Marc Giget é um craque da inovação. Ele é formado pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e Doutor em Economia Internacional pela Universidade de Paris. É o responsável pelo estabelecimento de diversas iniciativas comprobatórias que criatividade e coragem geram mais lucros às empresas. Mas não é apenas o lucro que interessa a Giget. Fundador do Instituto Europeu de Estratégias Criativas e de Inovação, localizado na França, ele não deixa escapar o conceito que inovar é melhorar a vida das pessoas. "A pergunta que toda empresa deve responder é como ir mais longe na satisfação dos clientes?" 

 

Atualmente Giget, que mora em Paris, está envolvido também com a organização do seminário Cidades Inovadoras, entre os dias 10 e 13 de março, em Curitiba. A iniciativa da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) debate a importância dos centros urbanos como catalisadores de inovação. Nesta entrevista, Giget fala sobre a importância de empresas adotarem estratégias de inovação e como isso pode salvá-las nos momentos de turbulência econômica.

 

De que forma a recente crise global afetou a inovação?

 

Marc Giget: A crise financeira teve o papel de acelerar a inovação. Com a crise, todos perceberam que é difícil repetir a mesma fórmula, que soluções radicalmente novas são necessárias. Essas soluções são menos dispendiosas, mais ecológicas e representam um progresso real para as pessoas. Inovações que antes da crise eram desejáveis tornaram-se até mesmo indispensáveis. Não há escolha, temos de seguir em frente, e soluções não faltam. Poucas empresas tiveram de reduzir o esforço inovador por causa da crise. Na verdade, é a tendência inversa que observamos.

 

Alguns economistas argumentam que mais importante do que o lucro é a capacidade de adaptação de uma empresa aos tempos difíceis. Quanto as inovações ajudam as empresas a se adaptar?

 

Giget: A companhia faz a ligação entre dois mundos. Um é o do conhecimento, tecnologias e know-how, os quais ela incorpora aos produtos e serviços. O outro mundo é o da sociedade, para a qual esses produtos se destinam. Essa função de concepção, produção, distribuição é comum a todas as empresas. Em períodos de estabilidade  tecnológica, as empresas mais bem organizadas, e muitas vezes as maiores, gozam de economia de escala e são mais rentáveis. Mas o conhecimento e a tecnologia evoluem, assim como a sociedade. Se a empresa que faz a ligação entre os dois mundos não muda, ela rapidamente perde a margem de operação, pois os conhecimentos e as tecnologias que usa já não são suficientemente eficazes em relação ao novo, e porque os serviços fornecidos por ela - empresa - não atendem mais às expectativas. Uma companhia precisa, portanto, estar sempre em sintonia com seu tempo.

 

Nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos grandes corporações investem

muito em inovação. O senhor acha que economias emergentes como o Brasil estão seguindo esse caminho?

 

Giget: Os Estados Unidos e outros países desenvolvidos certamente gastam muito dinheiro em pesquisa e desenvolvimento, mas com a eficiência em termos de inovação está longe de ser o que foi no passado. A inovação é uma combinação de habilidades e conhecimentos, tanto quanto o tamanho do investimento. No Brasil os investimentos em pesquisa, desenvolvimento, análise, avaliação e concepção de novos produtos, bem como a industrialização de inovações, crescem cada vez mais e são mais produtivos que em outros lugares. Além disso, a capacidade financeira está comparável aos chamados países desenvolvidos.

 

Como uma companhia deve criar a estratégia para inovar?

 

Giget: A questão fundamental que deve surgir dentro de uma empresa é: para ir o mais longe possível na satisfação dos meus clientes - e daqueles que ainda não são -, eu faço a integração eficaz do melhor estado do conhecimento com a tecnologia disponível? O mercado de tecnologia é consideravelmente aberto. Globalmente, a tendência é desenvolver inovações fundamentalmente centradas nas expectativas do usuário, com a melhor tecnologia. O ponto de partida, portanto, é o usuário. Não há como construir proposta melhor e mais variada.

 

O senhor geralmente argumenta em suas apresentações que o objetivo final de inovar é melhorar a condição humana. Como essa ideia foi desenvolvida?

 

Giget: Essa ideia não é minha, é de filósofos humanistas do Renascimento italiano dos séculos 14 e 15, quando isso não era apenas um período muito grande de inovação, mas também a origem da visão moderna de inovação. Nessa época, foram criados a patente e o capital de risco. Foi uma revolução. Pela primeira vez, o objetivo não era mais o poder do rei, mas o desenvolvimento do homem, o homem capaz de tudo. Hoje nós dizemos inovação centrada no humano. Nessa síntese criativa, o Humanismo tem quatro objetivos principais: melhorar a condição do ser humano, melhorar a relação entre os homens, melhorar a vida na cidade e melhorar a relação natureza com o homem. Esses objetivos são atemporais e universais.

 

O senhor está envolvido com a realização do evento Cidades Inovadoras, no Paraná. Por que é importante olhar para o ambiente urbano quando se está falando sobre inovação?

 

Giget: Cada período de grande inovação na história da humanidade tem sido marcado pelo desejo de construir a cidade ideal. Assim foi com a Babilônia, com Cartago, Persépolis, Atenas, Roma, Veneza, Florença, Paris e Brasília. Todas as grandes civilizações tentaram criar cidades ideais. Na verdade a inovação é uma combinação de conhecimentos, habilidades, talentos, que exigem a reunião de muitas pessoas que partilham projetos comuns. Portanto, os grandes períodos de inovação nascem em cidades que são a prova das reuniões. Algumas cidades, por várias razões, desempenham o papel de catalisador de inovações. Esse é o caso, por exemplo, na Europa de hoje, de duas cidades muito diferentes: Helsinki, ao norte, que se tornou o living lab do continente, e ao sul, Barcelona, cidade de sol e mar, centro da juventude criativa europeia. Daí a importância e relevância do evento Cidades Inovadoras que traz um conjunto de experiências de mais de 50 cidades particularmente inovadoras de todo o mundo.

 

Qual é o papel do setor produtivo nas cidades inovadoras?

 

Giget: O fato de uma cidade tornar-se, durante determinado período, uma inovação privilegiada é algo muito mágico e, por vezes, difícil de analisar. Esse é menos o resultado de um processo político forte do que boas intenções, e uma postura aberta, favorável à iniciativa, que favorece uma multiplicidade de atores com interesse em resolver problemas. Essa multi-iniciativa, a variedade - você poderia dizer que a biodiversidade de iniciativas - faz a magia desses períodos. As empresas têm, naturalmente, papel fundamental como atores-chave da inovação, mas os artistas e criadores também. Uma cidade inovadora é uma cidade na qual se pretende criar, inovar, empreender, sem estresse.

 

Muitas companhias lutam para mudar seus produtos e serviços. Quando um executivo deve tomar a decisão de mudar e qual a importância da inovação nesse momento?

 

Giget: Um bom indicador é o declínio da cota de mercado e das margens de lucro. Isso significa que o produto ou serviço diminuiu seu valor intrínseco. Para restaurar essas margens é preciso integrar as tecnologias e habilidades que são mais eficazes para a abordagem de baixo custo e, em paralelo, para aumentar o valor do que se faz. Essas novas gerações de produtos devem ser antecipadas, é perigoso esperar até o último momento. É melhor conceber os produtos futuros quando um produto ainda está vendendo muito bem.

 

Conte-nos mais sobre a criação do Instituto Europeu de Estratégias Criativas e de Inovação.

 

Giget: Eu criei o instituto em resposta ao discurso ultrapassado e pessimista sobre as perspectivas sombrias para a velha Europa, que na verdade se traduziram em realidade bem mais positiva. Se por um lado existem as empresas de idade e organizações em declínio ou colapso, de outro há uma onda de renovação em curso, proveniente de novos atores. "A árvore que cai faz mais barulho que a floresta que cresce", diz um provérbio chinês. Temos firmemente decidido trabalhar na floresta que cresce, mantendo os valores humanos mencionados. Este é o coração de uma rede cuja abordagem não é totalmente autocentrada na Europa, mas sim num diálogo amplo e aberto ao mundo.

 

 

(Fonte: Revista Interação - Março/Abril/Maio 2010)

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