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Entrevistas

Antonio Corrêa de Lacerda

21/01/2010 - Trajetória preocupa mais do que o déficit

O professor da PUC de São Paulo Antonio Corrêa de Lacerda está preocupado com a trajetória do balanço de transações correntes brasileiro. "Em 2009, tivemos déficit de 1,6% do PIB com a economia estagnada. Em 2010, cresceremos fortemente, o que demandará exportações e o ampliará", afirmou. "Isso pode não ser um problema em 2010, em 2011, mas, à frente, poderá ser".

A trajetória do déficit em conta corrente preocupa?

Antônio Corrêa de Lacerda: Mais do que o montante de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB), que não é tão alto e é financiável, preocupa a trajetória. Em 2006, tínhamos superávit em conta corrente, de 1% do PIB. Começou a piorar, até se transformar em déficit, que cresce e deve dobrar em 2010. Em 2009, tivemos déficit de 1,6% do PIB com a economia estagnada. Em 2010, cresceremos fortemente, o que demandará exportações e ampliará o déficit. É claro que hoje, qualificando o risco, a situação das contas externas é confortável. Temos US$ 240 bilhões de reservas, baixo coeficiente de dívida em relação ao PIB e o passivo externo melhorou a qualidade, com mais investimento que dívida. Mas, apesar dos progressos, deveríamos evitar essa trajetória porque pode não ser problema em 2010, 2011, mas à frente poderá ser. Os defensores do câmbio flutuante argumentam que, nesse regime, não deve haver preocupação, pois a taxa ajusta o déficit. Quando o déficit cresce muito, a tendência é de forte desvalorização. A questão é que o Brasil não pode deixar de crescer. O grande desafio é manter uma situação de contas externas que evite abortar o crescimento da economia. O diferencial do Brasil nessa crise foi que tínhamos contas externas razoavelmente ajustadas, o que nos permitiu cuidar do mercado doméstico.

O que fazer, então?

Lacerda: Olhando para a frente, o ideal seria ter solidez nas contas externas a sustentar um crescimento robusto, para gerar emprego, renda, etc. Esse déficit é consequência de um problema grave que nós temos que é a valorização do câmbio. Além disso, temos uma estrutura de gastos públicos de baixa qualidade associada a uma taxa de juros ainda elevada em termos internacionais. O déficit em conta corrente é o espelho desse conjunto de debilidades.

Como solucionar?

Lacerda: Em primeiro lugar, deveríamos apontar uma trajetória de sustentabilidade de longo prazo das contas públicas, com mais investimentos que gastos correntes. O segundo ponto é adotar uma política monetária mais agressiva, ou seja, evitar elevar a taxa de juros. Por fim, aperfeiçoar nossa política cambial, que foi instituída para fazer frente à escassez de dólares. Não é o que ocorre hoje.

Pode explicar melhor o que quer dizer quando afirma que o déficit pode se converter em problema a partir de 2011?

Lacerda:
Um cenário em que o mercado desvalorize fortemente o real implicaria aumento da taxa de juros, o que coibiria o crescimento do País.

No mercado financeiro, há quase um consenso em torno da ideia de que o Brasil, por ser o "queridinho" dos investidores, não terá problemas para financiar o déficit em conta corrente. Nossa experiência histórica e a de outros países não emissores de moeda conversível, ou seja, que dependem de moeda externa para se financiar, mostra que ficar vulnerável nas contas externas é assumir risco desnecessário. Imaginemos um cenário em que tudo continue como está, ou seja, que o País amplie o déficit. Isso seria só efeito colateral de problemas estruturais. Não atuar sobre esses problemas implica outros riscos, não só nas contas externas. Por exemplo, corre-se sério risco de desindustrialização, por causa da moeda valorizada. O País poderia se empolgar com o pré-sal e outras commodities, o que seria um erro. O Brasil é um dos poucos países em desenvolvimento que manteve a industrialização.

Alguns economistas têm argumentado que o Brasil pode seguir o modelo da Austrália, que há anos tem déficit em conta corrente e consegue financiá-lo sem problema.

O modelo australiano se encaixa no cenário em que o País se tornaria exportador de commodities, que consegue se financiar, mas abre mão da industrialização.

 

 

(Fonte: O Estado de S. Paulo - 21/01/2010)

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