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Entrevistas

Ross Gan

17/01/2010 - Investimento em inovação tecnológica

Estatísticas e números relacionados à China são sempre impressionantes. A Huawei, fabricante chinesa de soluções de rede de telecomunicações, não é exceção à regra. Entre seus indicadores, um dos que mais chamam a atenção é sua estratégia de estímulo à inovação. Com 78 mil funcionários, a empresa tem 48% de seus profissionais dedicados à pesquisa e desenvolvimento (P&D) de novos produtos, o que significa que mais de 37 mil pessoas trabalham diariamente para inovar.

 

Outro número impressionante é o valor investido em P&D. A Huawei aporta, em média, 10% de sua receita anual nessa área. Em 2008, o faturamento global foi de US$ 23 bilhões e a expectativa é de que o resultado em 2009 tenha atingido US$ 30 bilhões.

Em entrevista, o diretor global de Comunicação Corporativa da Huawei, Ross Gan, reforça a teoria de que "investir em inovação é vital para que uma empresa se mantenha competitiva no mercado global de equipamentos de telecomunicações", diz. 

Como é a atuação da área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Huawei?

 

Ross Gan - Inovar é vital para que uma empresa se mantenha competitiva no mercado global de equipamentos de telecomunicações. Por isso, investimos, em média, mais de 10% de nossa receita anual em P&D. Vale acrescentar ainda que 48% de nosso quadro de funcionários dedicam-se à inovação, o que representa um total de quase 38 mil pessoas.

 

Em 2008, a Huawei superou diversas companhias reconhecidas por investir em inovação ao registrar quase 40 mil pedidos de patentes. Desde quando a empresa vem trabalhando para atingir esse patamar?

 

Gan - O departamento de pesquisa e propriedade intelectual foi criado em 1995. Desde 2002, Huawei tem ocupado o topo do ranking de registro de patentes entre as empresas chinesas.

 

Apostar em inovação demanda investimentos, tempo, recursos humanos, disposição para lidar com erros e projetos mal-sucedidos e ousadia. Qual foi a parte mais difícil para a Huawei?

 

Gan - Enfrentamos inúmeros desafios nos últimos 20 anos. O primeiro deles foi a transição da China para uma economia de mercado. À época em que Huawei foi criada não havia China Telecom, China Mobile ou nenhuma outra companhia privada. Existia apenas uma agência do Governo chamada Ministério de Correios e Telecomunicações, que administrava tanto a operação de telecom no país quanto a provisão de equipamentos, estabelecendo parcerias com Alcatel, Siemens, Lucent e Nortel, entre outras. Diante desse quadro, tivemos que fazer um grande esforço para sermos aceitos e reconhecidos. Também enfrentamos obstáculos ao dar início ao processo de migração para o mercado internacional. Quando começamos este movimento, em 1998, a China era vista apenas como um fabricante de sapatos, brinquedos e produtos falsificados de baixa qualidade. Ninguém podia imaginar que havia uma empresa de alta tecnologia instalada no país. Por fim, tivemos que investir na internacionalização de nossa liderança, o que exigiu tempo e recursos para a adaptação das melhores práticas de mercado. 

 

Qual é o papel desempenhado pela operação brasileira na área de P&D?

 

Gan - O mercado de banda larga está em franco crescimento no Brasil e temos nos esforçado para criar soluções e tecnologias sob medida que atendam as necessidades de nossos clientes brasileiros. Isso significa que o país é um dos  elementos-chave em nossa estratégia global de P&D. O fato de termos estabelecido o pólo de desenvolvimento de novos softwares em Indaiatuba (SP), reflete nossa preocupação com o mercado brasileiro. Após dez anos de operação no Brasil, com uma carteira que inclui as principais operadoras de telecom, acreditamos que este é o melhor momento para investir em pesquisa e desenvolvimento local.

 

Quais são as vantagens competitivas dos BRICs, no que diz respeito à inovação?

 

Gan - O Brasil tem hoje uma economia estável, profissionais altamente qualificados e abundância de recursos naturais. Isso contribui para que o país seja competitivo na área de pesquisa e desenvolvimento em diversos setores estratégicos da economia. Se houver incentivos fiscais e redução de impostos em tecnologia e P&D, este salto pode ser ainda maior. No caso da China, destacamos sua imensa capacidade industrial. Já a Índia segue se beneficiando de sua liderança em Tecnologia da Informação.

 

Autor do livro "Inovação e Empreendedorismo", o diretor do Science and Technology Policy Research Joe Tidd acredita que a tendência é investir em novos produtos e serviços que possam ser usados pela base da pirâmide, como o minicarro indiano Nano. Essa visão é compartilhada por inúmeros pesquisadores, para os quais a inovação deve beneficiar também os mais pobres e não apenas os que podem pagar mais por novas tecnologias e serviços. A Huawei aposta nesta tendência?

 

Gan - De uma perspectiva mais ampla, a visão de longo prazo da inovação é criar serviços e produtos que possam ser oferecidos a todos, de forma que qualquer pessoa possa ter acesso a conhecimento e informação. A Huawei compartilha esta visão, adotando uma postura de "enriquecer a vida através da comunicação". É por isso que atendemos não apenas os países ricos, mas também adaptamos tecnologias para o uso local nos países em desenvolvimento. Um exemplo foi a instalação, na África, no final de 2009, de 200 estações-base que funcionam graças à energia solar.

 

 

(Fonte: Último Segundo - 17/01/2010)

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