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Entrevistas

William H. Janeway

04/02/2013 - “A inovação não sobrevive sem apoio político”

O Vale do Silício, nos Estados Unidos, é um dos símbolos do capitalismo moderno: uma região que une empreendedores a investidores dispostos a comprar ideias, sem nenhuma intervenção do governo.

Mas, para o investidor americano William H. Janeway, autor do livro Doing Capitalism in the Innovation Economy: Markets, Speculation and the State ("Capitalismo na economia da inovação: mercados, especulação e o Estado", numa tradução livre), sem a ajuda do governo, dificilmente polos de empreendedorismo como o Vale do Silício estariam no estágio de desenvolvimento atual.

Como o Estado pode desempenhar um papel positivo no desenvolvimento da inovação?

William H. Janeway: O Estado deve ser o primeiro cliente de empresas dedicadas a pesquisar e produzir novas tecnologias. Só ele pode pagar mais do que é comercialmente justificável para sustentá-las nos primeiros anos. Com isso, cria um ecossistema confiável para a entrada de empreendedores e investidores. 

E um papel negativo?

Janeway: Muitos governos escolhem mal as empresas que são estratégicas em mercados iniciantes. O erro comum é estabelecer um "campeão nacional" para um setor emergente, o que costuma impedir a criação de um ambiente competitivo.

Quando o Estado deve sair de cena?

Janeway: Os Estados Unidos são um bom exemplo. Com exceção da energia atômica, todas as tecnologias desenvolvidas com dinheiro do governo americano durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria foram abertas à exploração comercial de empresas privadas, com um mínimo de obstáculos e fiscalização de órgãos oficiais.

Em seu livro, o senhor diz que a especulação é outro fator fundamental para a inovação. Como?

Janeway: Historicamente, as novas tecnologias - das ferrovias à internet - trazem enormes oportunidades econômicas para quem investe em inovação. Mas essas oportunidades demoram a ser quantificáveis. Os especuladores são fundamentais para incentivar o desenvolvimento de tecnologias inovadoras, mesmo em mercados que ainda não estão maduros.

Que lições os países emergentes, como o Brasil, podem tirar da estratégia usada pelos Estados Unidos para fomentar a inovação?

Janeway: É preciso garantir a legitimidade política dos programas de investimento do Estado, para que eles não sejam abandonados posteriormente. Isso requer colaboração do público e de centros-chave de influência na sociedade. O ambiente de inovação não sobrevive sem amplo apoio político.

O senhor considera a China um país inovador?

Janeway: O governo chinês investe muito em pesquisa e criou uma cultura empresarial no país. Dito isso, o ambiente corporativo ainda é bagunçado e permeado por corrupção. É cedo para dizer que a China exercerá um papel semelhante ao dos Estados Unidos no século 20 no incentivo à inovação.

Qual tem sido o impacto financeiro da recente crise nos investimentos públicos em inovação?

Janeway: A austeridade exige um Estado mais eficiente, e a eficiência é a grande inimiga da inovação. Não se faz pesquisa sem uma quantidade enorme de "lixo" resultante do processo de tentativa e de erro envolvido na criação científica. Sai caro. Se os governos não entenderem isso, a crise resultará em menos inovação daqui para frente.


(Fonte: Revista Exame - 30/01/2013)

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