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Entrevistas

O Brasil precisa olhar para a Coreia

06/05/2013 - Economista britânico diz que Brasil sofre com doença holandesa e propõe foco em tecnologia e ambiente econômico propício a investimentos de risco

Jim O'Neill esvaziou as gavetas do escritório na semana passada. Após 18 anos de trabalho no Goldman Sachs, o economista britânico, de 56 anos, entregou o cargo de presidente da gestora de recursos da instituição e deixa quatro letras como um dos principais legados: Bric. Criado em 2001, o acrônimo ajudou a alçar Brasil, Rússia, Índia e China ao estrelato nos mercados internacionais, especialmente após o estouro da crise que levou à lona economias centrais como a dos EUA e da União Europeia.


Em sua primeira entrevista após deixar o cargo, O'Neill diz que o Brasil parece sofrer com a doença holandesa - mal econômico de países que apostam todas as fichas em produtos básicos e esquecem da indústria. Para reverter o quadro, sugere investimento em tecnologia para que o País ganhe competitividade. Do Governo, cobra um ambiente econômico mais propício à tomada de risco pelos investidores privados. Apesar dos problemas, ele diz que o Brasil está atualmente melhor do que ele imaginava em 2001 e exalta a queda da desigualdade no País.


A seguir, os principais trechos da entrevista:


Na carta de despedida, o sr. demonstra certa insatisfação com a velocidade da economia brasileira, que segue abaixo de suas previsões para a década. Quais as razões para essa recente fraqueza do Brasil?


Jim O'Neill: Acho que o Brasil está enfrentando um pouco da doença holandesa. Há uma taxa de câmbio supervalorizada, falta de competitividade na indústria doméstica não ligada às commodities e a reversão dos preços das próprias commodities. Além disso, o País não foi tão bem quanto algumas pessoas imaginavam na última década. O Brasil cresceu muito quando a conta é feita em dólar graças ao fortalecimento da moeda brasileira, mas o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) foi em torno de 3,6% na última década. Nesse período, houve alguns anos em que o crescimento foi tão suave quanto o que temos visto. Portanto, não devemos encarar como tão negativo o que aconteceu recentemente.


Economistas dizem que o Brasil deve crescer entre 3% e 4% em 2013. Com esse desempenho, conseguirá atingir sua previsão de crescimento médio anual de 5,2% na década entre 2011 e 2020?


O'Neill: É claramente um desafio, considerando-se os últimos anos. O Brasil precisará mostrar um crescimento mais próximo de 5,5% no resto da década para atingir esse número. Para conseguir isso, o investimento do setor privado precisará crescer acentuadamente e o Governo terá de permitir e ajudar o investimento do setor privado.


Com esse fraco desempenho recente e, olhando ainda mais para o passado, foi correta a decisão de escolher o Brasil como parte do Bric?


O'Neill: Claro. A despeito de desapontamentos recentes, o Brasil está muito maior do que eu imaginava em 2001 ou 2003. Eu previa que a economia brasileira ultrapassaria a Itália só no fim desta década, mas isso já aconteceu. O Brasil é o único Bric que conseguiu reduzir a desigualdade de renda nos últimos 12 anos. Essa é uma conquista bastante importante.


Mas, diante da fraqueza da economia do Brasil e da Rússia, será que o acrônimo Bric terá de ser reinventado nos próximos anos?


O'Neill: A Rússia não está crescendo muito diferente do que eu havia previsto. A Índia também está decepcionante e, até agora nesta década, somente a China superou minhas expectativas. E, claro, a China hoje é do tamanho dos outros três países do Bric juntos. Nos últimos dois anos, apesar da desaceleração no crescimento, a China aumentou o seu PIB em dólar tanto quanto o tamanho da economia da Índia. Assim, em alguns aspectos, é a China que é a estranha do grupo. Mas, apesar disso, eu realmente não vejo necessidade de revisar o conceito. Os países do grupo ainda serão, facilmente, as maiores economias emergentes em 2020. E, coletivamente, os quatro continuam na trajetória para se tornar tão grandes quanto os EUA em 2015 e do tamanho do G-7 em 2035.


Há algumas semanas, em Nova York, o sr. citou várias vezes os "Próximos 11" ou "N11", grupo composto por Bangladesh, Coreia do Sul, Egito, Filipinas, Indonésia, Irã, México, Nigéria, Paquistão, Turquia e Vietnã. O que os N11 têm para oferecer aos investidores que os Bric, em especial o Brasil, não têm?


O'Neill: É difícil generalizar sobre os N11. São países extremamente diferentes, como o México e a Nigéria. Vários desses países têm uma dinâmica de consumo muito favorável e, até certo ponto, não são tão dependentes de commodities como alguns Bric.


Em sua carta de despedida do Goldman Sachs, o sr. apresentou uma visão otimista do mundo, com países mais ricos e menos desigualdade. Como estará o Brasil daqui a 20 ou 30 anos?


O'Neill: Isso realmente depende de como o Brasil conseguirá fazer mudanças para aumentar sua produtividade, como outros países têm feito. Acho que o Brasil deveria olhar para o que a Coreia do Sul tem feito. O Brasil tem de aumentar o uso de tecnologia em todos os segmentos da sociedade o mais rápido possível, melhorar o ambiente de tomada de risco para o setor privado e não ser tão dependente de commodities.


Quais são seus planos daqui para frente?


O'Neill: Você terá de esperar um pouco para ter essa resposta. Se o sol continuar brilhando como nesses três primeiros dias da minha vida pós-Goldman Sachs, acho que não vou me apressar...


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