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Entrevistas

Setor de Petróleo e Gás será o de maior produtividade no Brasil em 2029, afirma José Ricardo Roriz Coelho

19/09/2013 - Vice-presidente da Fiesp e coordenador do Competro fala do potencial do setor, das conquistas do Comitê e da necessidade de maior integração entre iniciativa privada e governos para fortalecer a cadeia produtiva

A descoberta da camada do Pré-Sal em costas brasileiras trouxe um leque de oportunidades para as indústrias e investidores (nacionais e internacionais). As previsões apontam um aumento de participação do setor de petróleo e gás (P&G) no Produto Interno Bruto (PIB), saltando de 12% (registrados em 2012) para quase 20% no ano de 2020.

 

Em entrevista ao portal da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp e coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva do Petróleo e Gás (Competro) da entidade, fala dos desafios e da importância de maior integração entre iniciativa privada e governos para que o País e os brasileiros possam usufruir dos benefícios desse imenso e importante nicho de mercado.

 

Para o empresário, todo esse potencial somente será convertido em riqueza, desenvolvimento tecnológico e negócios para as empresas brasileiras se houver uma excelente articulação entre todas as instituições que apoiam o setor no País.

 

Veja a entrevista na íntegra:

 

Qual foi o principal motivo de se criar um Comitê dedicado a Cadeia de Petróleo e Gás na Fiesp?

 

José Ricardo Roriz Coelho: Criamos o Competro na Fiesp, em 2011, com o objetivo de reunir os representantes de entidades do setor, Governo, lideranças empresariais, universidades e centros de pesquisas, os bancos e agências de fomento, que têm realizado diversas ações em sinergia para o fortalecimento da cadeia produtiva do Petróleo e Gás (P&G).  Nossa meta é servir de elo entre as demandas das indústrias e as ofertas de fornecimento das grandes operadoras e empresas do setor.

 

É certo que todo o imenso potencial do Pré-Sal só poderá ser convertido em riqueza, desenvolvimento tecnológico e negócios para as empresas brasileiras se houver uma excelente articulação entre todas as instituições que apoiam o setor de Petróleo e Gás. Nos países em que isso foi realizado com empenho − como Reino Unido, Noruega e Finlândia os benefícios para a indústria local foram evidentes.

 

E quais as principais conquistas nesses dois anos de existência do Comitê?


Coelho: Para as indústrias, eu destacaria a realização de eventos que permitiram as indústrias paulistas se cadastrassem junto a grandes empresas-âncoras como a própria Petrobras e a CadFor, que representa nove grandes operadoras internacionais de petróleo. Para isso contamos com apoio do Ciesp [Centro das Indústrias do Estado de São Paulo] em seus mais de 40 escritórios regionais.

 

Também realizamos missões empresariais internacionais para atrair investimentos e parcerias com empresas estrangeiras e as rodadas de negócios, como a da feira Santos Offshore, entre as empresas âncoras e fornecedores da cadeia.

 

Outra iniciativa importante são as capacitações de empresas promovidas pelo Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na Cadeia de Petróleo e Gás (Nagi PG).

 

O foco principal do programa Nagi PG é o estímulo à inovação das empresas?

 

Coelho: Sim. O programa Nagi PG (parceria da Fiesp, do Ciesp e da Universidade de São Paulo), pretende, até o ano que vem, auxiliar cerca de 200 micro, pequenas e médias indústrias paulistas a elaborar seus projetos de inovação e a identificar oportunidades de negócios com o setor de P&G. Serão formados dez núcleos de inovação tecnológica em diferentes regiões do Estado de São Paulo.

 

No Encontro de Energia, o senhor comentou que o Brasil tem perspectivas para se tornar um País desenvolvido até 2029. O setor de P&G contribuirá para isso?

 

Coelho: Para que o País cresça seu PIB per capita a taxas acima das atuais, chegando a cerca de 5% a.a., é necessário desenvolver uma estratégia de crescimento socioeconômico. Desta forma, o Brasil pode se tornar desenvolvido até 2029.

 

Estratégias semelhantes foram executadas em países desenvolvidos onde o PIB per capita dobrou em 15 anos. Nesses países a taxa de investimento foi superior a 30% do PIB e a participação da indústria de transformação no PIB, acima de 25%.

 

Mas, só atingiremos as metas se houver maior crescimento industrial no Brasil. E neste contexto, o efeito multiplicador do setor de P&G, que atinge toda a indústria de transformação, pode ajudar a dinamizar os setores de maior impacto socioeconômico para o País. A participação do P&G no PIB brasileiro poderá chegar a 20% em 2020 e, no ano de 2029, o setor será o de maior produtividade, gerando empregos com altos salários.

 

Quais estratégias e políticas precisam ser desenvolvidas para que isso se concretize?

 

Coelho: São várias ações necessárias, como: melhorar o planejamento da demanda, com frequência adequada das licitações; desenvolver clusters, otimizando a competitividade a partir da criação de incentivos específicos; rever a política de conteúdo local em P&G, dando mais efetividade à participação da indústria nacional; criar políticas de atração e desenvolvimento de tecnologia; criar uma agenda de desenvolvimento com competitividade para exportação; e melhorar acesso de financiamento em condições competitivas (FMM).

 

Outro aspecto é a sustentação da demanda local. É preciso acelerar a retomada dos leilões de concessão de blocos pela ANP [Agência Nacional de Petróleo], para que o País mantenha sustentabilidade do pipeline de blocos em exploração e desenvolvimento, mantendo a demanda atraente para a localização de bens e serviços no País no longo prazo.

 

E que medidas serão necessárias quanto ao gás natural?

 

Coelho: O preço do gás natural deve ser reduzido aos níveis internacionais. E para isso é preciso estimular o desenvolvimento produtivo da cadeia, ter agregação de valor e ampliar o uso do gás natural na geração de energia, na indústria, nas residências e nos transportes.

 

Como o senhor avalia a aprovação do projeto de lei que destina os royalties do petróleo para educação e saúde (PL 323/07)?

 

Coelho: Eu vejo essa destinação como muito positiva. O Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, inclusive, já defendia essa destinação. Em novembro de 2012, publicamos o estudo simulando um cenário em que 100% dos recursos dos royalties e a participação especial (PE) fossem alocados em educação. O impacto disso seria um crescimento adicional no PIB de 1,14 p.p. anuais e de 0,57 p.p. anuais no PIB per capita, até o ano de em 2030.

 

A lei também tem méritos por carimbar metade dos recursos do Fundo Social para as áreas de educação e saúde, sendo inclusive uma conquista para nossa sociedade.

 

Qual é o impacto econômico e social provocado pela exploração do Pré-Sal?

 

Coelho: Permitirá que a atividade econômica não só do litoral, mas de todo o Estado se diversifique, em especial na prestação de serviços especializados relacionados à atividade exploratória.

 

Mas, para isso, é necessário que os investimentos privados sejam acompanhados de investimentos em infraestrutura pública, adequando às novas demandas por habitação, educação, saneamento, saúde, mobilidade e as peculiaridades ambientais de cada região.

 

Por isso, repito: é fundamental a integração entre todas as esferas de Governo nas etapas de planejamento e implantação das ações necessárias.

 

E o Brasil está preparado tecnologicamente para acompanhar a demanda?

 

Coelho: A demanda para atender ao Pré-sal impõe grandes desafios aos fornecedores instalados, que precisarão se adequar e investir na qualificação de mão de obra especializada para aumentar sua participação nesta indústria.

 

É importante ressaltar que a exigência de aumento de conteúdo local em bases competitivas configura uma grande oportunidade para desenvolvimento das empresas, que deverão ser qualificadas e desenvolvidas para se tornarem fornecedoras da cadeia de P&G de forma sustentável.

 

Portanto, inovação e qualificação são os grandes desafios?

 

Coelho: Sim. Para que a indústria paulista garanta e amplie o fornecimento de bens e serviços é preciso atender às demandas tecnológicas, como engenharia, geologia e materiais especiais. Isso exige a qualificação tecnológica e o envolvimento intenso dos centros de pesquisa e inovação já existentes no Estado, como as universidades, institutos de pesquisas, entidades de fomento e parques tecnológicos.

 

Na Baixada Santista, por exemplo, será viabilizado pelo governo estadual o Parque Tecnológico de Santos (PTS), que irá desenvolver pesquisas específicas na área de P&G voltadas às empresas da região. O Senai-SP [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo] está implantando projetos específicos para atender à demanda crescente da indústria paulista das atividades relacionadas a P&G e portuária.

 

Quais setores poderão se beneficiar com o Pré-sal?

 

Coelho: O setor de P&G movimenta uma ampla cadeia produtiva, tanto a “montante” como a “jusante”. Na “montante” temos, por exemplo, os setores de máquinas e equipamentos, siderurgia, metalurgia, material elétrico, o setor naval (que produzem, por exemplo, as embarcações de apoio) e outros segmentos industriais da cadeia química e eletrônica.

 

Já na cadeia “jusante” temos os serviços prestados às empresas, desde serviços técnicos gerais (de gestão, jurídicos, contábeis, projeto, construção, etc.) e serviços de transporte. Enfim, muitos setores serão beneficiados.

 

Está programado para outubro o leilão no Campo de Libra na Bacia de Santos. Como o Competro tem acompanhado os leilões?

 

Coelho: O Comitê tem acompanhado todas as chamadas de leilões para exploração e produção dos blocos na Bacia de Santos, incentivando a aceleração dessas chamadas. Em especial, analisamos as mudanças em relação às regras para exploração e produção nestes blocos no que se refere às exigências de conteúdo local determinadas pela ANP.

 

A cada novo leilão anunciado, ofertas na ordem de centenas de milhões de reais trazem oportunidades de fornecimento para toda a cadeia do petróleo e gás, nos mais diversos setores da indústria e aos diversos elos da cadeia, desde grandes empresas até pequenas indústrias que ofertam bens e serviços a estas primeiras.

 

A equipe técnica do Competro analisa as mudanças para identificar benefícios às empresas nacionais, traduzindo tais demandas e repassando a informação aos empresários. A nossa tarefa é traduzir tais oportunidades em informações para que as indústrias nacionais as identifiquem e participem ativamente deste crescente mercado.

 

O Pré-Sal atrai investimentos de grandes companhias multinacionais. Como as indústrias brasileiras podem se beneficiar?

 

Coelho: Temos a política de conteúdo local, implementada pela ANP desde início dos anos 2000. Ela permite que parte desses investimentos seja aproveitada pelos fabricantes nacionais, gerando emprego, renda e desenvolvimento tecnológico no Brasil. Essa política é essencial para reestruturar as principais cadeias produtivas que estão sendo desarticuladas devido ao grande aumento das importações.

 

Por outro lado, ela tem o mérito de estruturar o fornecedor de componentes e demais insumos estratégicos no Brasil, sendo também benéfica à sociedade e às indústrias dos elos finais das cadeias produtivas, as integradoras e montadoras.

 

A falta de mão de obra especializada é outro desafio para o setor?

 

Coelho: Sim, é claro. O crescimento sustentado da indústria depende da disponibilidade de profissionais capacitados em diversas áreas, com sólida formação e capazes de atuar com novas tecnologias e procedimentos.

 

Segundo cálculos do governo paulista, até 2025, as atividade relacionadas a P&G, bem como a portuária e naval, vão provocar, no litoral paulista, a criação de 130 mil empregos diretos (durante a implantação dos projetos), 71 mil empregos diretos (durante as operações) e 120 mil empregos indiretos.

 

Sendo assim, é necessário garantir acesso à capacitação profissional para atuação direta ou indireta no setor. E esse acesso é fundamental para a disseminação e perenização das riquezas advindas do Pré-Sal.

 

E como o Comitê avalia a necessidade de o setor “importar” mão de obra especializada?

 

Coelho: O fato de estrangeiros ocuparem postos de brasileiros nesse mercado não é bom para a economia. Uma empresa chega a pagar, além do salário, mais de US$ 100 mil/ano para manter um profissional estrangeiro e sua família no País. Seria muito mais competitivo contratar um profissional brasileiro, que está criticamente em falta no País.

 

Além disso, as empresas de engenharia estão atendendo à demanda com grande esforço frente ao déficit de quantidade e qualidade de engenheiros, em função da inadequada formação e qualificação de profissionais.

 

Outras dificuldades encontradas pelas empresas de engenharia dizem respeito ao cenário muito adverso (contratos de curta duração, preço global, prazos inadequados, remuneração sem margem para qualificação), falta de comunicação entre as empresas e as universidades e exigências contratuais que não incentivam a utilização de engenheiros júniores.

 

E quanto à questão logística e a modernização do Porto de Santos?


Coelho: O porto de Santos é a principal via de acesso utilizada pelos exportadores e importadores no Brasil. Há anos se sabe da necessidade de melhorias e elas deveriam ser contínuas, visando o crescimento projetado e o atendimento da demanda.

 

A Petrobras elegeu Santos como a cidade base para as operações do Pré-sal, levando para lá construções, edificações e a infraestrutura. E o Porto de Santos se insere nesse contexto como peça vital do processo. Há que se modernizar para oferecer um bom serviço.

 

E, obviamente, o porto em si somente não é a solução única, pois a infraestrutura no entorno é fundamental, como vias de acessos, equipamentos, aparelhagens, tecnologia e mão de obra treinada.

 

A Petrobras anunciou certa redução de investimentos na região. Como o Competro avalia isso?

 

Coelho: Temos acompanhado com muita atenção. Em maio, na reunião com os responsáveis pela base operacional de Santos, o Competro tomou conhecimento que a Petrobras definiu que a infraestrutura logística de apoio às plataformas do Pré-sal deverá ser realizada através de investimentos de empresas privadas. Isto é, a Petrobras não vai investir, mas pretende contratar e utilizar estes serviços caso sejam construídos.

 

Referente ao Centro de Pesquisas, soubemos que a Petrobras e as autoridades municipais e estaduais promoveram reuniões visando tirar o Centro de Pesquisa do papel, avançando definitivamente para construí-lo na cidade de Santos. O investimento previsto é de cerca de R$ 80 milhões.

 

Esse fato é muito importante, pois as empresas com excelência na área de P&G têm seus projetos já em construção na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. É fundamental para o Estado de São Paulo e para a Baixada Santista conseguir a instalação desse Centro de Pesquisas, complementando os projetos desenvolvidos no Rio de Janeiro, o que, sem dúvida, atrairá muitas outras empresas para se instalarem junto à Petrobras nesse parque tecnológico.

 

Este Centro será um vetor de atração para a indústria da P&G instalada no Estado de São Paulo e um atrativo para as que desejam vir para o Brasil, agregando tecnologia, desenvolvimento de uma cadeia de fornecedores e mão de obra de qualidade para São Paulo.

 

 

(Fonte: Fiesp – 17/09/2013)

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