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Entrevistas

UE quer acordo com o Brasil para enfrentar os chineses

08/10/2013 - União Européia quer um acordo com o País sobre matérias-primas estratégicas na área industrial. Em entrevista, o vice-presidente da Comissão Européia e comissário de Indústria e Empreendedorismo, Antonio Tajani, explica que agenda pretende diminuir o monopólio chinês

A União Européia (UE) quer um acordo com o Brasil sobre matérias-primas estratégicas na área industrial, em reação ao crescente controle chinês no mercado global de commodities. Em entrevista, o vice-presidente da Comissão Européia e comissário de Indústria e Empreendedorismo, Antonio Tajani, disse que o tema faz parte de sua agenda na visita que fará ao Brasil na quinta-feira (10/10) e sexta-feira (11/10).


"Há uma situação em que a China tenta ter monopólio de matérias-primas industriais, e é preciso impedir isso", afirmou Tajani, que estará em Brasília para preparar o encontro de cúpula UE-Brasil, marcado para fevereiro em Bruxelas, onde gostaria de assinar um acordo. A UE já tentou a mesma iniciativa sobre matérias-primas em 2011, em estratégia para garantir acesso a commodities com o objetivo de garantir a competitividade europeia. Tajani, no entanto, diz que a proposta só envolve matérias-primas industriais, e não agrícolas. E do lado brasileiro, sempre interessou principalmente abordar commodities agrícolas. Para certos negociadores, o problema europeu é que dá ênfase ao abastecimento e ignora a ótica de mercado e do produtor.


A Europa depende fortemente da importação de minerais que são concentrados nas mãos de poucos países, como China, Brasil, Rússia e África do Sul. Nada menos de 84% do nióbio e 51% de minério de ferro importado pelos 27 países da UE vêm do Brasil, por exemplo. Os europeus se inquietam com riscos reais de desabastecimento no caso dos minerais terras-raras, cuja produção mundial está 97% concentrada na China e são essenciais para alta tecnologia, telecomunicações e produtos ambientais.


Tajani abordou também a erosão da base industrial europeia e os planos de uma "reindustrialização industrial". Ao seu ver, um dos problemas à competitividade europeia é o preço da energia, o mais elevado em comparação aos concorrentes e que representa o dobro e o triplo dos custos nos Estados Unidos e na China.


O nível médio de produtividade da UE está bem abaixo daquele dos EUA e do Japão, e a demanda continua fraca no bloco. Tajani indicou recentemente que os investimentos também continuam fracos, tendo diminuído € 350 bilhões desde 2007, quando começou a crise financeira global. A Europa hoje só atrai 20% dos investimentos estrangeiros totais, comparado a 45% em 2001.


Sem surpresas, a UE estima que o grosso de seu crescimento nos próximos anos virá do exterior. Em sua visita ao Brasil, Tajani quer explorar mais contatos entre os empresários brasileiros e europeus e uma cooperação industrial, especialmente em áreas de alta tecnologia.


O comissário vai enfocar barreiras e possibilidades concretas de entendimentos para simplificação administrativa, a fim de estimular mais negócios. Por exemplo, na área de regulação e especificações técnicas, em particular padronização e certificação de produtos, para ampliar o comércio. Também estão na agenda projetos em pesquisa e investimentos. A cooperação deve continuar em setores-chave, como petróleo e gás, infraestrutura e energia renovável.


"Vemos tudo isso num contexto muito positivo", afirmou o comissário. "Vou ao Brasil para reforçar as relações, não para protestar. Quando falo sobre matérias-primas, sobre barreiras, falo para aumentar as nossas relações. Sou absolutamente pró-brasileiro". A seguir, os principais trechos da entrevista:


O que o sr. leva concretamente como propostas para o Brasil?


Antonio Tajani: O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, me encarregou de preparar o encontro de cúpula UE-Brasil no mês de fevereiro em Bruxelas. No Brasil, vou encontrar vários ministros. Vou acompanhado por empresas europeias e organizações empresariais. Vamos propor o reforço das relações bilaterais no nível de padronização e de investimentos, e tentar abrir as portas do Brasil aos europeus. Temos problemas a resolver, como barreiras tarifárias e não tarifárias. Para nós, o ambiente brasileiro é positivo. E ter os mesmos padrões para a indústria é importante, dá para aumentar a produção europeia no Brasil e também dá para atrair empresas brasileiras à Europa. Mesmo se dizem que há problemas no Brasil, para nós o Brasil tem bom crescimento. Vamos reforçar também o acordo sobre turismo, vamos preparar bem esse encontro de cúpula, para dar um bom reforço à relação bilateral.


Por que a UE reclama de barreiras no Brasil, quando, pela primeira vez, conseguiu superávit comercial em muito tempo? Os europeus estão vendendo mais, os brasileiros menos, não?


Tajani: Eu disse que é preciso resolver os problemas. No Brasil, as empresas europeias têm problemas para trabalhar. Imagino que as empresas brasileiras possam ter problemas na Europa. Eu vou dizer quais as dificuldades: a vontade política é o mais importante. Os problemas são pequenas coisas no contexto geral de reforçar os vínculos entre o Brasil e a União Europeia. É preciso ir adiante. Há grandes oportunidades no Brasil, como a Copa do Mundo. As empresas europeias têm grande interesse em investir no País. Essa visita é uma passagem crucial para o encontro de cúpula. Barroso é muito ligado ao Brasil, acho que seu pai tinha passaporte brasileiro.


A UE vai propor um acordo sobre fornecimento de matérias-primas estratégicas?


Tajani: Sim. Vamos discutir isso, para nós é muito importante. Estamos prontos a assinar um acordo com o Brasil na área de matérias-primas. Vamos ver se o Governo brasileiro está pronto a assiná-lo. Trata-se de cooperação para tentar uma política comum contra monopólios que há no mundo hoje. Há uma situação em que a China tenta ter monopólio de matérias-primas industriais, não agrícolas, e é preciso impedir isso.


É um acordo que facilita Brasil e UE na área industrial em relação à China?


Tajani: No momento em que, em nível global, a China é capaz de gerir, e é seu interesse, o mercado de matérias-primas, a competitividade de nossas empresas pode ficar comprometida. Se o custo das commodities aumenta no Brasil e na Europa, a competitividade de nossas indústrias não será a mesma que seria se tivéssemos uma situação de mercado livre, mais equilibrado.


Em que estágio está essa discussão com o Brasil?


Tajani: Temos ideias, estamos discutindo. Vamos ver se podemos assinar um acordo agora ou no encontro de cúpula de 2014 em Bruxelas. Já assinamos esse tipo de acordo com países como Peru, Uruguai, Colômbia, Chile, com a Groenlândia.


O acordo de livre comércio Mercosul-UE continua complicado. É o momento de negociar um acordo comercial diretamente com o Brasil?


Tajani: Esperamos que o acordo com o Mercosul avance, fui ao encontro de cúpula do Mercosul, em Montevidéu. Mas a decisão de avançar é do Mercosul. Ao mesmo tempo, queremos ir adiante com o Brasil. O Brasil não é apenas um membro do Mercosul. E não podemos falar com o Brasil apenas num quadro Mercosul. O Brasil é o Brasil, um dos países mais importantes do mundo.


Ou seja, paralelamente, avançar as relações com o Brasil.


Tajani: Exato, paralelamente ao debate com o Mercosul ir adiante no trabalho de reforçar nossas relações com o Brasil.


"Não podemos falar com o Brasil apenas no quadro Mercosul, é um dos países mais importantes do mundo"


A Europa não saiu ainda da severa crise econômica e social. Até que ponto essa crise causou a erosão da base industrial europeia?


Tajani: A indústria europeia teve problemas. Durante vários anos, vimos a economia como ligada às finanças e aos serviços. Infelizmente, os resultados foram muito negativos. Agora é preciso começar a trabalhar pela reindustrialização da Europa. Temos o objetivo de aumentar a participação da indústria manufatureira de 15% do PIB da UE a 20% até 2020. Precisamos resolver vários problemas para reforçar a competitividade. É preciso economizar no custo da energia, que é mais elevado comparado a nossos concorrentes. A burocracia é um fardo terrível para as empresas. O acesso ao financiamento é um problema para a indústria. Precisamos também ter uma boa política ambiental. Se não temos um acordo global nessa área, não podemos ir adiante (sozinhos).


A produtividade europeia também perde na comparação com os EUA e o Japão?


Tajani: Sem dúvida. Por isso, é preciso haver ações políticas. Em fevereiro, haverá uma cúpula de chefes de Estado e de Governos europeus dedicada à política industrial. Estamos preparando ideias concretas para ter, ao lado da politica de redução da dívida, também uma política a favor do crescimento através da indústria.


Como reduzir a diferença de competitividade entre economias tão distintas como a da Alemanha e da Grécia?


Tajani É preciso tentar coordenação, mas ter uma politica industrial ajuda todo o mundo. Como temos um grande mercado interno, de mais de 500 milhões de habitantes, não se pode ter o mesmo sistema industrial em cada país-membro. A Grécia deve desenvolver uma forte indústria de turismo. Este ano, mesmo na situação terrível de crise, a Grécia atraiu muitos turistas, o setor teve bom desempenho. A Europa precisa antes de tudo fazer uma escolha política. As finanças e os serviços devem estar ao serviço da economia real.


O que a França fez - criar banco de desenvolvimento para impulsionar a política industrial -, é um bom modelo para a Europa?


Tajani Temos o Banco Europeu de Investimentos (BEI), que já faz um bom trabalho, por exemplo para (financiar) infraestrutura. Vamos propor que o banco tenha mais recursos para ajudar pequenas e médias empresas, para alavancar recursos de € 100 bilhões. Espero também que o Banco Central Europeu (BCE) nos próximos anos atue como outros bancos centrais. Atualmente, é apenas um banco que trabalha para a estabilidade, contra a inflação. Mas é preciso ser capaz de se engajar no crescimento.


A demanda europeia continua muito anêmica, em todo o caso...


Tajani: Por isso precisamos de um sistema favorável ao investimento, que deve vir além das fronteiras europeias.


Ou seja, grande parte do crescimento europeu futuro virá de fora?


Tajani Sim. Por isso estamos reforçando a internacionalização de nossas empresas. E isso não significa deixar a Europa, e sim fazer investimentos no exterior, produzir fora para os mercados locais.


Quando a UE, enfim, sairá da crise, e em que formato?


Tajani: Não sou um feiticeiro para saber . Mas a situação avança. Alguns países avançam mais, outros menos, e sou otimista para o ano que vem. Há uma pequena retomada da economia. Há mensagens que chegam apontando crescimento.


 O sr. foi um fundador do Forza Itália, com Sílvio Berlusconi. Como vê a situação dele hoje, quase expulso do Senado, e talvez da vida política?


Tajani: Berlusconi é ainda o líder da centro-direita italiana, quer ele seja senador ou não. O secretário do partido, Alfano, que é vice-primeiro-ministro, vai trabalhar para apoiar o Governo para sair da crise, tentando colocar antes de tudo o interesse da Itália e da Europa. Depois da saída da crise haverá eleições. Berlusconi também deu sua confiança ao Governo de Letta e ele será ainda presidente do partido fora do parlamento.

 

 

(Fonte: Valor Econômico – 08/10/2013)

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