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Entrevistas

Investimento é problema no Brasil

14/10/2013 - Para economista-chefe do FMI, crescimento previsto para o País em 2014, de 2,5%, não é tão catastrófico. Ele alerta que "default" nos EUA teria efeitos globais

Washington, economista chefe, do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao longo da mais severa crise global em mais de oito décadas, Olivier Blanchard se diz "cautelosamente otimista" com a perspectiva de recuperação da economia mundial. Entre os desafios específicos do Brasil, está o aumento dos investimentos. Porém, diz que o crescimento projetado para o Brasil em 2014, de 2,5%, "não é tão catastrófico quanto parece".

 

O Brasil terá em 2014 a menor taxa de crescimento (2,5%, o mesmo de 2013) entre os principais mercados emergentes. O que deu errado?

 

Primeiro, não é tão catastrófico quanto parece, muito países gostariam de ter crescimento assim (risos). Houve uma redução do crescimento potencial em vários mercados emergentes, o Brasil foi afetado como muitos outros. Isso deve-se talvez a uma década dos 2000 que foi especial, com alto preço das commodities, baixas taxas de juros, grande entrada de capitais externos. Ainda que não seja o fim deste quadro, não deverá ser tão favorável como antes. O Brasil tem tido flutuações cíclicas em torno disso, teve em 2011 um ano muito ruim, depois subiu, caiu. O País está operando num ambiente  complexo, as decisões corretas de política monetária e de política fiscal são difíceis.

 

E acho que há um problema mais estrutural no Brasil, que é investimento. Baixo investimento tem efeitos de curto prazo, pois afeta a demanda, e de longo prazo,  porque afeta o estoque de capital e a habilidade de produzir.

 

Temos a caminho o inicio da reversão  da política monetária expansionista dos EUA, cuja expectativa já causou prejuízos ao Brasil e outros mercados emergentes. Quão prejudicial pode ser se a reversão ocorrer no momento errado? Está claro que, esperando que os acidentes fiscais não se materializem, a recuperação americana ficará mais forte. A política monetária terá que reagir com taxas de juros mais altas. O Fed (banco central americano) não vai fazer isso se a recuperação for interrompida. Se começar (a redução), será porque a economia está melhor. Para o Brasil, há algumas boas notícias e outras ruins. A boa notícia é que, à medida em que a economia dos EUA está forte, isso será bom para exportações. Por outro lado, pode ter uma complicação, que é saída de capitais.

 

Quando houve (recentemente, com a expectativa de mudança da poli-tica do Fed), o Brasil fez a coisa certa, que foi deixar o real se desvalorizar. E, se mais vier, pode fazer mais.

 

Se soubéssemos exatamente quando vai ocorrer, semana que vem, daqui a um mês, seria tudo mais suave. Mas o Fed, como to-dos nós, olha para os dados e decide se deve fazer agora ou depois.

 

O senhor disse que, se não houver acordo para aumento do teto da dívida, os EUA podem entrar em recessão. O resto do mundo também?

 

Um default dos EUA teria efeitos importantes sobre a economia mundial. Primeiro, se houver uma recessão nos EUA, as exportações para os EUA vão entrar em colapso, e isso vai afetar economias. Só isso já seria ruim. Mas, então, os mercados financeiros podem ficar disfuncionais em algum ponto. Por exemplo, investidores podem ficar mais avessos a risco, então os spreads dos bônus brasileiros podem subir dois, três pontos percentuais. O Brasil então se veria com menos exportações, juros mais elevados. Isso mataria o crescimento no Brasil? Não sei. Mas certamente teria um efeito significativo. Eu não acredito que isso (calote e recessão) vai acontecer, mas se acontecer, o mundo todo sofrerá.

 

A China conseguirá fazer esta transição do investimento para o consumo como motor de crescimento?

 

É a intenção do atual plano de cinco anos chinês. É um projeto difícil, que envolve mudanças em governança,   para    que    as    firmas    distribuam mais dividendos, uma estratégia industrial diferente, a reforma do sistema financeiro, a melhoria da seguridade social. Até agora, a desaceleração do crescimento veio da redução do investimento, por sua vez providenciado pelo aperto do crédito. Isso ainda não foi equilibrado com o correspondente aumento do consumo. É é o desafio na próxima década.

 

Parece haver um tom pessimista no último relatório do FMI sobre a economia global.

 

Eu me descreveria como cautelosamente otimista no momento. Revisamos um pouco para baixo o crescimento da economia mundial, mas não é o número correto de se olhar. É preciso acompanhar duas evoluções. Os pacientes doentes, os países avançados, estão se recuperando. A recuperação não é ótima, mas está ocorrendo. Os pacientes saudáveis, os mercados emergentes, estão desacelerando. Mas permanecem amplamente saudáveis.

 

 

(Fonte: O estado de São Paulo – 11/10/2013)

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