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Entrevistas

Comércio exige nova postura

06/01/2014 - Segundo especialistas, retomada da economia mundial, puxada pelos Estados Unidos, pouco adiantará para o comércio exterior brasileiro, se o próximo presidente da República não mudar radicalmente a forma do País de fazer negócios no mercado internacional e, principalmente, não investir pesado em políticas de inovação tecnológica

A retomada da economia mundial, puxada pelos Estados Unidos, pouco adiantará para o comércio exterior brasileiro, se o próximo presidente da República não mudar radicalmente a forma do país de fazer negócios no mercado internacional e, principalmente, não investir pesado em políticas de inovação tecnológica. Mesmo tendo o sétimo Produto Interno Bruto (PIB) do planeta, o Brasil está na lanterna do ranking de trocas comerciais. O país tem uma fatia ínfima (1,3%) dos R$ 18,3 trilhões das exportações globais, ficando atrás de economias menores, como o México, segundo a Organização Mundial de Comércio (OMC).


Para especialistas, isso pode ser explicado pelo elevado custo logístico, resultado da péssima infraestrutura do país (portos, ferrovias e estradas são um desastre), e por entraves burocráticos e tributários. Mas não é só: "O comércio exterior brasileiro também perdeu espaço por causa da falta de competitividade dos produtos manufaturados, devido ao real valorizado, e da falta de acordos bilaterais", diz Rubens Barbosa, que já comandou a embaixada brasileira nos Estados Unidos.


Outro pecado tem sido recorrer a medidas de curtíssimo prazo para tentar incrementar as exportações, que continuam crescendo menos que as importações. "Para desânimo dos empresários, vários dos estímulos dados pelo governo nos últimos anos foram retirados em função do ajuste fiscal que precisa ser feito ao longo de 2014", comenta Barbosa. É o caso do programa Reintegra, que devolvia aos exportadores parte dos impostos embutidos na cadeia produtiva.

 

Perdas


No entender do ministro da Fazenda, Guido Mantega, a partir de agora, boa parte do trabalho de incentivo às exportações será feito pela alta do dólar, que já esteve em R$ 1,60 e hoje vale R$ 2,35. Há, ainda, a aposta de que, com a privatização de portos, rodovias e ferrovias, o custo de fazer as mercadorias chegarem aos outros países se reduza. Hoje, 20% da safra agrícola se perde no caminho por causa de deficiências na infraestrutura. Nos manufaturados, o prejuízo é de 15%.

 

Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, o futuro ocupante do Planalto terá de escolher entre apoiar as exportações ou ficar refém do capital especulativo. Para financiar o buraco recorde de quase 4% do PIB nas contas externas, o país contava com investimentos estrangeiros diretos, recursos voltados para o aumento da produção. Diante do baixo crescimento e da inflação alta, esse capital se retraiu e o governo passou a se valer cada vez mais de dinheiro de curto prazo, que costuma fugir ao menor sinal de turbulência.

 

Segundo Castro, é urgente ampliar a produtividade da economia e os incentivos à inovação. "Os benefícios das concessões de infraestrutura à iniciativa privada só virão a longo prazo", destaca o embaixador José Botafogo Gonçalves, vice-presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). Enquanto as esperadas mudanças não vêm, o saldo da balança encolhe de forma preocupante. De US$ 29,8 bilhões em 2011, primeiro ano da gestão Dilma, ele caiu para cerca de US$ 1 bilhão em 2013. Entre 2014 e 2015, mesmo com o dólar mais alto, não haverá superavit suficiente para amenizar o estrago nas contas externas.

 

Quatro perguntas para Jim O"Neill, criador do acrônimo Brics

 

Como o senhor vê o fraco ritmo de crescimento do Brasil? Mantido o atual patamar de expansão, em torno de 2% ao ano, o país vai merecer continuar fazendo parte do Brics?


Jim O"Neill: Se o Brasil crescer apenas entre 2% e 2,5% ao ano, nos próximos 20 anos, certamente não terá merecido ter sido um Bric. Se olharmos para o período entre 2001 e 2003, o país também experimentou três anos consecutivos de crescimento fraco, que foi seguido por uma explosão forte logo em seguida. Assim, no momento, eu não estou muito alarmado com os últimos três anos. Mas é importante que o governo faça mais para apoiar o crescimento, e a melhor maneira disso acontecer é sair do caminho (do setor privado). As autoridades brasileiras estão tentando fazer uma China em uma época em que os chineses não querem mais ser a China de sempre. O Brasil precisa é de um investimento privado sustentado, sem intervencionismos estatais.

 

Há o risco de os países emergentes serem eternamente nações em desenvolvimento?


O"Neill: Teremos, em 2014 e 2015, eleições importantes em um grande número de economias emergentes. Isso inclui o Brasil, a Índia, a Indonésia e a Turquia. Todos esses quatro têm potenciais emocionantes e podem se tornar economias muito maiores. Mas isso requer reformas mais fortes e uma melhor governança. Sair do estágio "em desenvolvimento" realmente depende do próprio país e de seus líderes.

 

Entre 2001 e 2010, a economia global cresceu, em média, 3,7% ao ano. Será que o mundo pode voltar a essa taxa na próxima década?


O"Neill: Acredito que há uma chance razoável de o mundo voltar a crescer mais do que isso, em torno de 4% ao ano nesta década. Muitas pessoas ainda não levam em conta a contribuição que a China tem dado. Mesmo com a sua taxa de expansão desacelerando para 7,5%, ela contribui com US$ 1 trilhão para o crescimento mundial, que seria a contribuição que os Estados Unidos dariam se estivessem crescendo 4%.

 

O que os líderes mundiais, principalmente os EUA e a Europa, podem fazer para incrementar o crescimento global?


O"Neill: Existem alguns sinais bastante animadores em muitos lugares, especialmente nos Estados Unidos, no Japão e na China. Essas são as três maiores economias do mundo. Quanto à Europa, ainda é cedo para falar em retomada do crescimento. Por enquanto, continua a prevalecer a decepção por lá. Dito isso, acredito que alguns dos países que passaram pelo pior da crise, como Grécia, Espanha e Portugal, terão, a partir de agora, um desempenho melhor.

 

 

(Fonte: Correio Braziliense - 02/01/2014)

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