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Entrevistas

"Não há crescimento vigoroso sem indústria"

13/02/2014 - Segundo Empresário Paulo Francini, se nada acontecer em pouco tempo a indústria passará a corresponder a apenas 9% do PIB. Resultados em 2013 foram "medíocres" e "não há medida mágica" que faça o setor se recuperar a curto prazo, diz

Nas últimas quatro décadas, o empresário Paulo Francini participou ativamente dos debates sobre os rumos da economia brasileira. Integrante do grupo de industriais que lutou pela redemocratização do País, ele ajudou a modernizar a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e é um dos fundadores do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Graças à sua visão lúcida e independente, tornou-se interlocutor assíduo de todos os governos, desde José Sarney, passando por Fernando Henrique e Lula, até o atual. O ministro Guido Mantega mantém a tradição e, sempre que necessário, consulta a opinião de Francini, que, aos 72 anos, deixou o mundo dos negócios, mas está longe de se aposentar.

Vice-presidente do Conselho Superior de Economia da Fiesp, ele se diz "um diretor diletante" do departamento de estudos econômicos da entidade. Em entrevista, afirma que 2014, com Copa do Mundo e eleições, "promete boas emoções, mas não para a indústria". Para Francini, os resultados em 2013 foram "medíocres" e "não há medida mágica" que faça o setor se recuperar a curto prazo. Apesar de reconhecer os esforços do Governo e a necessidade de elevar os juros, afirma que é preciso fazer mais e com urgência. "Se nada acontecer, em cinco anos, a indústria passará a corresponder a apenas 9% do PIB. E eu não conheço na história dos países um crescimento vigoroso sem a participação de sua indústria".

Os números da indústria de dezembro, com queda de 3,5%, refletiram um ano ruim em 2013. E as perspectivas para 2014 não parecem muito boas. Como o sr. vê esse cenário?

Paulo Francini: Dezembro, de fato, foi o último mês de um ano que já se configurava ruim. Na verdade, o mercado e nós mesmos da Fiesp esperávamos uma queda de 1,5%, 1,6%. A queda de dezembro veio muito grande, 3,5%. Esse desempenho negativo, muito superior ao esperado, aguçou ainda mais a percepção de que as coisas não estavam indo bem, e não estão indo bem.Com esse resultado, a indústria cresceu 1,2%, frente a 2012, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física, do IBGE (PIM). É um resultado medíocre. Os 0,4% de crescimento em 2011, a retração de 2,5% em 2012 e, agora, o crescimento de 1,2%, mostram que o triênio fecha no negativo, cerca de 0,8%, 0,9%. A indústria não estava indo bem e foi péssima em 2013, quando se esperava uma reação que não ocorreu. Dezembro só acentuou ainda mais a percepção que já existia. O ano já estava comprometido.

Quais são os principais gargalos da nossa indústria?

Francini: Se fosse um fator ou outro, seria fácil. Mas sabemos que não é assim. É mais complexo. O ano de 2013 se iniciou em uma perspectiva positiva - a previsão do crescimento do PIB, em 3%, e a indústria de transformação se recuperando em 2013 frente a 2012, com um crescimento de 2,5%. Um ritmo não otimista, mas com uma perspectiva razoável. Tivemos um primeiro trimestre onde o crescimento da produção industrial medido pela PIM não foi contrário à previsão - a PIM cresceu 1,05%, com relação ao último trimestre de 2012. Até aí tivemos um resultado razoável. No segundo semestre é que começou a entornar o caldo. Um conjunto de coisas aconteceu... Em maio, teve-se a revisão da política monetária dos Estados Unidos, anunciada pelo Ben Bernanke (ex-presidente do Federal Reserve), que mostrou que em algum momento seria iniciada a retirada dos estímulos monetários. No mês de junho há as manifestações, que tomaram todo mundo de surpresa. Só sei que, com tudo isso, houve uma mudança sobre a percepção das coisas que aconteciam no País. Começou-se a ter uma preocupação maior com o crédito, que já apresentava uma menor demanda por conta da dificuldade de expansão. E, assim, abriu-se uma perspectiva que reverteu a expectativa dos agentes, passamos a ter confirmadas aquelas expectativas mais sombrias.

O que houve na prática?

Francini: Houve uma revisão daquele crescimento que estava em torno de 3%. Alguns começaram a falar de 2,5%, outros de 2%. Além disso, uma série de fatores não aconteceu. Do lado da demanda, por exemplo, teve-se uma expansão do rendimento da massa salarial muito menor do que se estava acostumado. O crescimento dos salários médios de 2013 foi de 2,6%, sendo que, no período de 2005 a 2012, tivemos uma evolução de 5,7%. A expansão do crédito teve claramente uma desaceleração. No fim do ano, foi registrado um crescimento de 1,8%, quando você havia tido de 8% a 9% nos anos anteriores. Combinados salário e crédito, teve-se menor demanda. Somou-se a isso o aumento no preço dos alimentos. Com a demanda da alimentação em alta, sobrou pouco para outras coisas. Uma série de fatores negativos foi conspirando contra a perspectiva de crescimento da economia e dos resultados da indústria de transformação.

Isso levou os empresários a uma visão mais negativa do futuro?

Francini: Muito mais negativa. A sua intenção e disposição de investimento está sempre associada ao cenário que ele enxerga para tal investimento. À medida que a expectativa para o futuro vai caindo, a predisposição ao investimento cai junto. Você teve ainda no primeiro semestre a grande demanda de caminhões, que foi esporádica e não vai acontecer mais. E deu a sensação de que bens de capital estava crescendo, mas foi apenas a demanda por caminhões que cresceu. Efetivamente, o ano se concluiu com um crescimento que deve ser inferior a 2%...

Tivemos ainda um outro fator no ano passado que foi o início do aumento da taxa de juros.

Francini: Exatamente, a partir de abril. Tivemos uma agressão pelo lado da demanda, por causa da evolução da renda, pela não expansão do crédito e pelo aumento da taxa de juros. Com tanta coisa ruim, seria correto perguntar: por que há de se esperar que tudo isso resultasse em coisa boa? Só deu coisa ruim!

Pelas previsões do mercado, teremos na próxima reunião do Copom novo aumento de 0,5% na taxa de juros. A previsão do Boletim Focus, do Banco Central, é de uma taxa acima de 11,5%. É mesmo necessário aumentar a taxa de juros?

Francini: Com a situação que o mundo está atravessando, especialmente com o fator, eu diria, forte, da recuperação da economia norte-americana e a disposição, já clara, da redução continuada dos estímulos, que passou para U$ 65 bilhões - e, provavelmente, na próxima reunião do FED isso ainda vai se reduzir -, há um desequilíbrio da situação entre países emergentes e desenvolvidos. Inverteu-se a situação. Os emergentes, que eram os grandes receptores de capital, porque mantinham o crescimento, possivelmente serão substituídos pelos desenvolvidos, especialmente os EUA. Com isso, já temos uma visão muito mais complicada. E o Brasil não é um dos países mais complicados. Se olharmos para o lado, vemos um cenário dramático na Argentina e na Venezuela. Nós, aqui, sabemos que no Brasil temos características diferentes, que não somos a Argentina, que nossa capital não é Buenos Aires. Porém, conforme vamos nos afastando, a América Latina aparece no mapa como uma massa homogênea e sem distinção. Então, de repente, você é afetado como país, independentemente de sua saúde própria, por conta do baixo nível de saúde de seus vizinhos. Isso faz com que os países emergentes reajam a essa situação promovendo eventual desvalorização adicional da sua moeda, para proteger sua balança de comércio, para se proteger com relação ao crédito, que não está tão farto e disponível no mundo, e do aumento de seu custo. Vai se fazendo o equilíbrio dos pratos. E, dificilmente, os bancos centrais terão nesse quadro atitudes de redução da taxa de juros. Então, lembrando um filme de faroeste, você me diria: quer dizer que o Copom está cercado pelos índios? Não adianta torcer pelo mocinho. Os índios são muito velozes. Há empecilhos que independem de nossa vontade.

A taxa de câmbio também é um gargalo para a indústria?

Francini: Com relação à inflação, é evidente que há distintos componentes que são afetados pela taxa de câmbio. Nós, Federação das Indústrias, acabamos de concluir um trabalho referente ao câmbio, que foi realizado por nossa encomenda a um grupo da Universidade de São Paulo, para responder a algumas perguntas. Dentre elas, aquela chamada de pass-through, do repasse para os preços dos produtos. Qual a parte da desvalorização cambial que passa exatamente para os preços? Evidente que essa também é a preocupação do BC quando vê a taxa de câmbio como uma desvalorização continuada do real. Nosso efeito de pass-through não é tão elevado para o IPCA, mas ele está presente. Essa questão do equilíbrio de juros, câmbio e inflação tem lá seus macetes. Não é uma construção tão simples.

O que se pode esperar para o a economia este ano?

Francini: Eu acho o seguinte: 2014 se inicia, infelizmente, muito diferente de 2013. Em 2013 tinha uma expectativa de melhoria, 2014 não tem. O carregamento estatístico do nível atingido pela PIM em dezembro, se prosseguir o ano de 2014 com o nível que se chegou em dezembro, cai 3,7%. Esse carry-over que se está carregando é bandido. Será preciso fazer das tripas coração para conseguir que a indústria de transformação tenha uma taxa positiva de crescimento no ano de 2014. E vai ter que suar a camisa para chegar a 1,5%. Portanto a perspectiva do PIB para 2014, eu diria que deve cair para um valor abaixo de 2%. A indústria de transformação deve cair em torno de 1,5%. Eventos emocionantes devem ocorrer ao longo do ano, Copa do Mundo, eleições de outubro, eventualmente manifestações. Enfim, um ano que promete boas emoções, mas não para a indústria.

Mas o câmbio em alta não é um estímulo às exportações?

Francini: Sim, claro, essa é a nossa boa esperança. A questão da recuperação ou melhoria das exportações é uma possibilidade que vemos com um certo entusiasmo, mas não desenfreado. Não somos craques em exportação de produtos manufaturados. Quem absorve de 20% a 25% dos manufaturados brasileiros exportados? A Argentina, que vive uma situação crítica. Nós não podemos contar com los hermanos. Se o mundo nos dá um sorriso leve, como, por exemplo, a recuperação dos EUA, nós olhamos para o lado e vemos uma carranca, em vez de um sorriso.

Então, mesmo com taxa de câmbio favorável, não há mercado assegurado para a nossa indústria?

Francini: No caso da Argentina, é uma questão cambial. Eles vão precisar fazer das tripas coração para reduzir seu gasto em dólar e reduzir suas importações. Quanto a barreiras protecionistas na fronteira, pode ter certeza que vão acontecer. Só espero que não em 2014. O câmbio favorável abre, sim, uma boa perspectiva para a economia brasileira, mas, no balanço de ganhos e perdas, não sabemos o resultado. Tivemos em janeiro um déficit de U$ 4 bilhões na nossa balança comercial, que não é um resultado animador. De qualquer maneira, um dólar de R$ 2,40, R$ 2,50, é uma melhoria para a produtividade do Brasil.

Em entrevista, Luiz Gonzaga Belluzo disse que o real ainda está muito apreciado. O ideal, segundo ele, seria uma cotação perto de R$ 3 por dólar. O sr. concorda que a apreciação da moeda prejudica a competitividade da indústria?

Francini: Conheço e aprecio a figura de Belluzo, o que ele fala são geralmente coisas sérias. Tivemos uma perda fantástica da competitividade brasileira, os efeitos disso nós assistimos. Nós, da Fiesp e do Iedi, sempre advertimos: "Olha, vocês estão destruindo a indústria!". O grau de destruição, que promoveu esse percurso da taxa apreciada da nossa moeda, foi muito maior do que imaginávamos e levou a uma destruição muito razoável. Não será tão simples a construção. Se perguntarem o porquê de o empresário não investir mais, eu respondo que ele não é suicida. O empresário investe na expectativa de ter um resultado em lucro. Não tem uma questão de ideologia em seu investimento, é muito mais simples que isso. Portanto, quando se olha para uma situação em que a sua produção não é competitiva, que produzir no País é mais caro do que produzir no País de fronteira, você pensa: "Por que vou produzir no Brasil? Por que investir aqui?" Por vezes dá para perceber uma manifestação exigindo patriotismo do capital. O capital não tem patriotismo, o espírito animal do empresário é despertado pelo cheiro de lucro. Isso é que o faz investir. O espírito animal do empresário não é suicida.

O Governo fez a desoneração da folha de pagamento de vários setores e incentiva os investimentos por meio do crédito do BNDES. O que mais o Governo poderia fazer para reverter essa expectativa negativa?

Francini: Em primeiro lugar, esperar que o Governo faça no último mandato coisas muito complicadas, importantes e difíceis, pode esquecer. Não vai fazer. Por que? Porque nunca faz. O Governo vai entrar com um projeto de mudança da Previdência, de redução do gasto público? De jeito nenhum, não vai fazer isso. No último ano de mandato está todo mundo querendo saber o resultado da eleição. Portanto, deste lado não vai vir. Por outro lado, você diz: "Mas esse governo não fez uma porção de coisas que estava na linha correta? Afinal, esse Governo não fez a redução da taxa Selic a fim de aumentar a competitividade, não fez uso dos bancos públicos para interferir contra o spread no Brasil, que é muito elevado?". Fez. "O Governo procurou que a moeda tivesse uma melhor posição com relação à sobrevalorização, dando uma empurradinha para que a taxa de câmbio se encaminhasse para uma moeda mais desvalorizada?". Fez. "O Governo não fez a desoneração da folha de pagamento?" Fez. O Governo acerta na intenção, mas, de repente, comete certos pecados no exercício da implementação. Sim, o governo perdeu algumas batalhas. Agiu corretamente na busca de uma tarifa de energia melhor, mas foi derrotado na mídia. A capacidade de comunicação do Governo é ruim. Portanto, eu elencaria, como o fiz, uma série de medidas que me pareceram muito acertadas, mas com implementações discutíveis e titubeantes.

O sr. quer dizer que são medidas que não geramos efeitos que se espera delas? A desoneração da folha, funcionou ou não?

Francini: Sabemos que a indústria, de todos os setores, é a que paga maior percentual na sua contribuição à arrecadação da União. A indústria hoje representa 13% da formação do PIB e contribui com 30% na arrecadação da União. O resultado da desoneração da folha poderia ter sido mais expressivo se melhor implementado. Para determinados setores, a desoneração da folha deu ganho de apenas 1%, 1,5%, que são ganhos inexpressivos, diante da própria situação de volatilidade da taxa de câmbio.

Haveria a possibilidade de o Governo reduzir a carga tributária?

Francini: Não, só reduzindo os gastos públicos. Nós estamos poupando algo da ordem de 18% a 19% do PIB, precisamos ter um investimento superior a 20%, 24% para termos um crescimento adequado. Mas, como Governo crescendo anualmente sua despesa muito além do crescimento do PIB, não dá jeito. A única parte flexível que o Governo tem, sua capacidade de investimento, fica cada vez mais ofendida. Não adianta você pretender ter um gasto superior ao que você arrecada e dedicar parte de sua arrecadação para investimento e somar isso ao investimento privado, se você não fizer a lição de casa. Mas eu diria que o Governo não vai fazer agora. É difícil, para não dizer impossível.

O Governo fala muito que há pessimismo exagerado por parte de economistas e empresários. Em sua opinião, há realmente exagero?

Francini: Hoje a sensação com relação à realidade está pendulando para mais pessimista do que merece. Um segundo ponto é que, assim como times têm torcedores, o time da Dilma não está com essa torcida toda. Eu acho que, na verdade, as empresas de consultoria e de rating não gostam muito da Dilma. Eles são mais críticos com relação ao Governo Dilma pelo fato de não serem do time dela.

Fala-se em rebaixamento do rating do País...

Francini: Existe uma frase do Delfim, sobre a tempestade perfeita, que eu não acredito que vá acontecer e nem ele mesmo. Mas envolve o fato de se rebaixar o rating, o que aumenta a taxa de juros para o Brasil no mercado internacional de crédito. Assim, tem se como efeito um crescimento da inflação vezes a valorização da moeda e tem-se um desajuste fiscal. Eu não torço para isso. É ruim para a sociedade brasileira. Não acredito em redução do rating e nem que vamos seguir em uma trajetória de inflação que vá fugir do controle. Acredito, sim, que vamos ter um ano muito morno, com relação ao nosso crescimento, e com uma indústria fraca.

Há o risco de demissões com essa indústria fraca?

Francini: Existe. Estávamos estranhando porque o nível do emprego não acompanhava o nível da produção. Ficamos convencidos de que o empresário estava fazendo uma espécie de reserva de pessoas, acreditando que o futuro seria melhor. Que valeria a pena manter pessoal, mais do que ele estivesse necessitando, porque as indenizações rescisórias custam de quatro a cinco meses de salário e ainda se corria o risco de depois de quatro meses esse mesmo empresário perceber que não teria um profissional tão habilitado e difícil de contratar, como tinha em sua fábrica. Então, acredito que nós assistimos a uma indústria trabalhando com mais folga no sentido de ter pessoal excessivo. Como a nossa perspectiva de melhora não ocorreu, como a visão de futuro se nublou, acho que as empresas começaram a promover a redução de pessoal. A indústria começou a efetuar ajustes. Não diria que esse movimento acabou, mas diria que boa parte desse ajuste foi cumprido e não enxergo que teremos uma redução dramática do nível de emprego atual da indústria da transformação. Mas, não vamos ter crescimento, isso é verdade.

O que é necessário para que a indústria volte a crescer, e a economia brasileira também?

Francini: Temos a convicção de que o Brasil, sem a indústria, não vai percorrer a trajetória que o encaminhará para uma nação desenvolvida. E a trajetória da indústria tem sido de redução consecutiva da sua dimensão. Uma indústria que estava em torno de 24%, 20%, na formação do PIB na década de 80, no ano 2012 vai para 13,6% do PIB, ou seja, uma fantástica redução. Se nada acontecer em quatro, cinco anos, pode passar para 9% do PIB. Você conhece na história dos países um crescimento vigoroso sem a participação de sua indústria? Eu não conheço.

Fala-se muito do crescimento do setor de serviços, em função da expansão da renda...

Francini: Sim, cresce. Mas, não vamos entrar nessa. Os EUA, que são os EUA, só depois de algum tempo perceberam que o êxodo da indústria lhes custou muito caro e agora tratam de trazer de volta para o seu território. A Alemanha nunca abandonou sua indústria. O Japão luta desesperadamente para fazer com que ela cresça. A Coréia tem um grau de desenvolvimento fantástico graças à sua indústria. A China faz a mesma coisa. Não vamos reinventar a roda. Ou conseguimos fazer com que a indústria reverta sua trajetória continuada na formação do PIB, ou não teremos jeito.

Que tipo de incentivo seria necessário a curto prazo? A redução da carga tributária?

Francini: Não há condição de redução tributária no curto prazo. Quando digo que a indústria paga tributos muito elevados, refiro-me a duas questões diferentes. Você tem o ritual tributário, que é um jogo terrível em que você precisa de um grande número de profissionais para administrar os tributos. Os tributos variam de Estado para Estado e, diariamente, inúmeras medidas são criadas. É um sistema extremamente complexo. A outra questão é o nível de tributação que, evidentemente, a indústria coloca em seus produtos e quem paga é o cidadão brasileiro. A indústria é uma boa arrecadadora de impostos para o Governo, portanto, essa carga tributária, na parte da complexidade, é horrível na sua dimensão também. A expectativa de que isso venha a cair no curto prazo não existe. O Governo teria de abrir um espaço no orçamento da União para tecer o investimento. E o investimento está associado à recuperação da infraestrutura desse País e a torná-lo viável para as suas atividades econômicas. Uma das partes da falta de competitividade do Brasil vem da sua precariedade de infraestrutura. Não há medida mágica para a indústria.

 

 

(Fonte: Brasil Econômico – 10/02/2014)

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