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Entrevistas

O Brasil pode mais

20/03/2014 - Para economista do BNDES País pode ser mais ambicioso e envolver micro e pequenas empresas na cadeia de inovação. Segundo Jorge Arbache, temos que ver nestes setores portas de entrada para a produção de bens de capitais para o desenvolvimento econômico a partir do investimento em novas tecnologias de produção

O Brasil sempre foi classificado como o “celeiro” do mundo, devido à sua grande capacidade de produção e exportação de alimentos, bem como pelo suprimento de matérias-primas para indústrias de base. Entretanto, para Jorge Arbache, assessor da Presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o País tem vocação para ser muito mais que um fornecedor de commodities. “Devemos ser mais ambiciosos quando olhamos nosso potencial, pois devemos almejar mais do que a exportação de soja, milho, minério, petróleo. Temos que ver nestes setores portas de entrada para a produção de bens de capitais para o desenvolvimento econômico, a partir do investimento em novas tecnologias de produção”, defende.

 

O economista acredita de forma contundente que essa mudança de perspectiva passa, obrigatoriamente, pelos investimentos em inovação. Porém, para Arbache não basta o avanço tecnológico em si. É necessário, sobretudo, proporcionar o envolvimento das micro e pequenas empresas na cadeia inovativa, pois estas impactam diretamente no desenvolvimento econômico e social de um País ao gerarem empregos, aumentarem a renda e melhorarem as condições de vida da população.

 

Nesta entrevista, Jorge Arbache explica detalhadamente esses pontos de vista, abordando também o conceito de inovações institucionais, que defende como sendo uma das alternativas para diminuir o abismo tecnológico entre as grandes multinacionais e as empresas de menor porte.

 

Sob a ótica do BNDES, o que é inovação?

 

Arbache:  O BNDES entende a inovação como um instrumento de aumento da competitividade da economia; uma forma de aproximar nossa economia das fronteiras tecnológicas. A inovação oferece componentes de aumento de eficiência e de valor agregado, que auxiliam uma maior inserção do Brasil no mercado global.

 

A inovação também tem um poder de transformação social?

 

Arbache: Quando olhamos para a economia brasileira, vemos uma grande dualidade em termos de distribuição e acesso a tecnologias, crédito, talentos, mecanismos de gestão etc. Tudo isso faz com que tenhamos um grupo muito grande de empresas que tendem a fazer pouco uso de tecnologias e inovações, enquanto um grupo reduzido, formado em sua maioria por multinacionais, tem acesso facilitado a tecnologias sofisticadas. Isso é negativo para a economia. É preciso promover o envolvimento da típica empresa brasileira – os micro e pequenos negócios espalhados pelo País. O desafio que nós temos é o de buscar soluções que integrem esses dois grupos de empresas. Isso envolverá soluções sofisticadas, mas, ao mesmo tempo, inovações das quais ambos os grupos possam se beneficiar, as chamadas inovações institucionais. São elas que levarão as micro e pequenas empresas para mais perto da fronteira tecnológica.

 

Você poderia detalhar melhor este conceito de inovação institucional?

 

Arbache: Quando analisamos o contexto de países emergentes, que deram um salto de desenvolvimento em suas economias, em muitos dos casos houve reformas que buscaram soluções novas para problemas antigos e específicos. Eram soluções fora da caixa, uma forma de romper com a inércia e com as amarras que impediam a tentativa de algo novo. Inovações institucionais são instrumentos que procuram reformatar o funcionamento de situações específicas para buscar soluções que pareciam impossíveis. O exemplo mais simbólico disso, em minha opinião, é o mercado dual da China. Nas fazendas coletivas chinesas os preços eram fixados pelo Governo. Porém, a produção excedente ao mínimo exigido pelo Governo era comercializada livremente. Isso estimulou o crescimento da produção e impulsionou a economia agrícola do País, a qual, por sua vez, permitiu a industrialização.

 

Qual o papel do BNDES neste processo de transformação socioeconômica por meio da inovação? O BNDES é ativo na proposição de políticas públicas de impacto?

 

Arbache: Podemos citar o Cartão BNDES: algo absolutamente novo e que tem sido copiado por vários países. Esse cartão dá acesso a micro e pequenas empresas à compra e aquisição de bens e serviços que vão contribuir para o aumento de sua produção e competitividade. Funciona praticamente como um cartão de crédito e, atualmente, corresponde a mais de 90% do número de operações do Banco. Esse cartão tem possibilitado mudanças significativas nas empresas e apresentado um grande impacto positivo. Mas tão importante quanto elevar o nível de acesso dessas empresas a novas tecnologias é buscar integrar esse grupo com o grupo das maiores: criar uma ponte para que as grandes empresas tragam os micro e pequenos negócios para as suas cadeias de valor. As inovações em um país emergente como o nosso devem ser encaradas de uma forma um pouco diferente. Para que as inovações resultem, efetivamente, em impacto no dia a dia das pessoas comuns, é preciso que elas entrem nas micro e pequenas empresas.

 

Além dos incentivos a micro e pequenas empresas, O BNDES também tem investido em iniciativas setoriais para a promoção da inovação. Como você avalia a evolução desses programas em 2013?

 

Arbache: Tem sido feito um esforço muito grande, e espero que com resultados positivos, de integração dos entes que compõem o Sistema Nacional de Inovação. Estamos em um estágio inicial desse esforço, mas nossa expectativa é que as inovações no Brasil deverão ter um impulso nos próximos anos, com melhores resultados nas empresas, universidades e centros de pesquisa. O incentivo a políticas setoriais continuará sendo uma prioridade do Banco.

 

O Brasil vem sofrendo com seus índices de produtividade e competitividade, questões que passam, obrigatoriamente, pela inovação. Como você enxerga este cenário?

 

Arbache: A jornada brasileira é muito longa, pois partimos de uma base muito baixa. Muita mudança tem que ser feita, mas quando olhamos para o que já foi conquistado, temos razões para sermos otimistas. Ao compararmos os instrumentos brasileiros e de outros países, vemos que não há como se queixar de falta de incentivos. Sempre se pode dizer que há problemas, burocracia, e há. Sempre há espaço para aperfeiçoamentos e ajustes, mas o Brasil não se posiciona muito atrás das grandes economias. O que é necessário é uma mudança cultural em relação à importância da inovação, para que haja redução da pobreza e da desigualdade e crescimento econômico sustentado.

 

Em uma entrevista, você afirmou que os recursos naturais, a biodiversidade e as commodities podem e devem ser vistos como uma oportunidade, e não como um obstáculo para o investimento na indústria. Como isso se daria?

 

Arbache: Temos grandes e verdadeiras oportunidades de desenvolvimento industrial associadas à agricultura, mineração e pré-sal. Devemos ser mais ambiciosos quando olhamos o potencial desses setores, pois devemos almejar mais do que a exportação de soja, milho, minério e petróleo. Temos que ver nesses setores portas de entrada para a produção de bens de capitais para o desenvolvimento econômico, a partir do investimento em novas tecnologias de produção de sementes, tratores, fertilizantes etc. É necessária uma mudança de perspectiva para que o Brasil possa adentrar a economia mundial pela porta da frente. Nosso País poderia e deveria ser mais ambicioso.

 

O BNDES dispõe de mecanismos para estimular a industrialização desses setores?

 

Arbache: Temos dado especial atenção ao desenvolvimento das cadeias produtivas do pré-sal. Mas acho que deveríamos vislumbrar metas mais ousadas. Muito mais do que produzir os navios e plataformas, deveríamos focar nas tecnologias necessárias para o desenvolvimento dos sistemas por detrás do funcionamento do pré-sal, perceber que estamos aprendendo com essas oportunidades que estão emergindo. Os grandes ganhos estarão associados às tecnologias e inovações necessárias para o desenvolvimento do setor, não à replicação de técnicas.

 

Neste cenário econômico ainda de incertezas, com disputa eleitoral e Copa do Mundo, quais suas expectativas macroeconômicas para o Brasil em 2014?

 

Arbache: Este ano não será fácil para o Brasil. Temos um nível de investimento aquém das nossas necessidades; temos uma população vibrante, mas que é sedenta por consumo, o que gera uma pressão de demanda em alguns setores; no cenário externo, temos no horizonte mudanças na política monetária americana que trarão impactos na direção dos investimentos e na alocação de recursos estrangeiros. Ao mesmo tempo, a Europa e o Japão continuam estagnados. A China passa por um processo de desaceleração, embora continue com taxas elevadas de crescimento. Não temos motivos para acreditar que será fácil, mas quando olhamos os esforços nas áreas de concessões e infraestrutura, que terão impactos diretos nos custos de logística, e também as mudanças no campo da educação e nos marcos regulatórios, começamos a ter razões para acreditar que, embora não no ritmo desejado, estamos no caminho para a construção do crescimento sustentável.

 

Jorge Arbache é assessor da Presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desde 2009, atua na execução de ações relacionadas ao crescimento econômico, à internacionalização da economia brasileira, ao comércio entre Brasil e China. É professor de Economia da Universidade de Brasília

 

 

(Fonte: Portal Inventta – 24/02/2014)

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