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Entrevistas

Tombini diz ao WSJ que pausa em ciclo de alta é "uma possibilidade"

14/04/2014 - Banco Central pode interromper o ciclo de aumento do juro básico nos próximos meses. Presidente da instituição, Alexandre Tombini, afirma que o esforço para reduzir a inflação tem sido ajudado pela garantia do Governo de que vai cumprir a meta de superávit primário além da recente apreciação do real

O Banco Central (BC) pode interromper o ciclo de aumento do juro básico nos próximos meses, apesar de um repique nos preços dos alimentos, afirmou o presidente da instituição, Alexandre Tombini, em entrevista ao "Wall Street Journal" em Washington, onde participa dos encontros do Fundo Monetário Internacional.

 

A Selic subiu de 7,25% para 11% ao ano, num dos ciclos mais agressivos de aperto monetário entre os mercados emergentes. Essas elevações ainda estão tendo efeito sobre a economia brasileira, disse Tombini, acrescentando que o esforço para reduzir a inflação tem sido ajudado pela garantia do Governo de que vai cumprir a meta de superávit primário, além da recente apreciação do real. "É uma possibilidade", disse Tombini quando questionado se ele poderia fazer uma pausa no ciclo de alta do juro. "Vamos ver, temos quase dois meses até a próxima reunião, que será no fim de maio."

 

Ele afirmou que o principal fator para a decisão será a evolução das perspectivas de inflação. Os índices têm subido por conta de um aumento nos preços de alimentos em março, provocado pela seca do início do ano. Tombini afirmou que vê isso como um evento temporário, e que está preparado para passar por isso mesmo que a inflação fique fora da meta por um curto período. "É um choque temporário", disse.

 

Ele citou que o mandato do BC é manter a inflação dentro do intervalo da meta no fim do ano, não durante o ano. "Não há metas intermediárias dentro do ano calendário", disse. "Em 2014 estaremos abaixo do topo da banda, compatível com o arcabouço da meta de inflação."

 

Veja abaixo alguns trechos da entrevista.

 

O Banco Central do Brasil está conseguindo manter a inflação sob controle?

 

Alexandre Tombini: Vamos manter a inflação dentro de nossa banda em 2014. Nosso sistema é estabelecido de uma maneira que o objetivo é o fim do ano. De acordo com o decreto que estabelece a meta de inflação no Brasil, até o fim do ano, em 31 de dezembro, precisamos ter inflação anual com o alvo de 4,5% e você tem mais ou menos 2 pontos percentuais. Isso é dezembro. Não há metas intermediárias dentro do ano calendário. Esse é o arcabouço. Em 2014 estaremos abaixo do topo da banda, compatível com o arcabouço da meta de inflação. Temos apertado a política desde abril. Nesse movimento, tivemos o início da conversa de 'tapering' e os mercados ficaram agitados na segunda metade do ano passado, desde maio até setembro. Isso enfraqueceu o real juntamente com outras moedas em relação ao dólar. Esse ciclo de aperto tem sido diferente de outros. A taxa de câmbio se moveu na direção oposta à do aperto. Isso tem sido um vento contrário em termos de levar a inflação para baixo. Você teve alguma resistência nas expectativas de inflação, assim como isso foi afetado por outras políticas. Desde fevereiro deste ano, quando o governo definiu a nova meta fiscal para 2014, as coisas estão trabalhando mais em linha com os termos das políticas de combate à inflação. Mais recentemente, por conta da melhora das condições globais, a volatilidade diminuiu para níveis muito baixos e o apetite por risco aumentou nos últimos meses. Você tem visto um fortalecimento das moedas em relação ao dólar, incluindo o real. Essa é mais uma força recente nesse processo de aperto das políticas de combate à inflação. Trouxemos a inflação do pico de 6,7% em junho de 2013 para 5,6% em janeiro. Mais recentemente, em março e abril, estamos vivendo um choque de preços de alimentos. Esses fatores afetaram o custo da energia no Brasil. O Brasil conta pesadamente com a geração de energia hidrelétrica. O mesmo fenômeno afetou a oferta de água em algumas regiões importantes, particularmente em março. Se você pega a cesta do índice de preços ao consumidor, o que é referência para a meta de inflação, os aumentos dos preços de alimentos em março foram os maiores desde 1999. Estamos falando de um choque significativo de preços de alimentos. Temos o vento contrário do enfraquecimento do real na segunda metade do ano passado e no início deste ano tivemos esse choque de preços de alimentos mais recentemente. Mas, se você olhar de junho a janeiro deste ano, a inflação saiu de 6,7% para 5,6%. A política monetária está funcionando. Tem defasagens. E, como dissemos na ata, uma porção considerável dos aumentos que têm sido implementados desde abril ainda não foi sentida na economia. Continuaremos a ver os efeitos defasados do aperto da política monetária na economia.

 

O senhor diz que o objetivo é o fim do ano. Estamos nesse choque de preços de alimentos. É algo pelo qual você acha que pode passar?

Tombini: Sim. Este é um choque temporário. Tem sido um acontecimento difícil.

 

O senhor acha que a inflação no curto prazo pode ficar acima da banda de 6,5%?

 

Tombini: É plausível. Este não é um comunicado preciso porque não temos uma meta para pontos no meio do ano. Focamos apenas o fim do ano.

 

O senhor mencionou que o real tem se fortalecido neste ano. Isso está ajudando a política monetária a fazer parte do trabalho de conter a inflação neste momento?

 

Tombini: Flexibilidade é o nome do jogo no que concerne a taxa de câmbio. Nós respondemos a mudanças na taxa de câmbio na medida que afetam a inflação. Parte do ciclo que fizemos no Brasil teve a ver com conter os efeitos secundários da depreciação cambial. Então há um "pass-through". O "pass-through", estruturalmente falando, diminuiu no Brasil na última década e meia. Quando você tem depreciação, você tem um impacto nos preços ao consumidor, então você precisa brecar esses movimentos. À medida que os movimentos da taxa de câmbio afetam a inflação para cima ou para baixo, afetam a condução das decisões de política monetária.

 

Como o senhor vê a inflação globalmente? O FMI revisou suas previsões para baixo, particularmente para os mercados emergentes.

 

Tombini: Você tem um nível estável e mais baixo de preços para as commodities em geral. Isso milita no sentido de inflação mais estável, talvez mais baixa à frente. Mas, é claro, há riscos. Toda essa liquidez foi injetada. Não está muito claro como será absorvida à frente.

 

Há uma percepção nos mercados de que o Banco Central no Brasil está em um ponto em que pode interromper o ciclo de aumento de juros e ver como as coisas evoluem. Essa é uma análise justa?

 

Tombini: É uma possibilidade. As pessoas ainda estão lendo a ata. Vamos ver, temos quase dois meses até a próxima reunião, que será no fim de maio. Veremos. Afinal de contas, os bancos centrais estão "data dependent". Temos que olhar todos os desenvolvimentos para tomar a melhor decisão possível.

Que fatores são os mais importantes? O que o senhor precisa saber nos próximos meses?

 

Tombini: No fim das contas é nossa própria projeção de inflação. Quando colocamos tudo junto, o aperto que temos implementado ainda não está todo na economia. Precisamos ver a evolução dos preços. Precisamos olhar os movimentos da taxa de câmbio e o mercado de trabalho.

 

Quão preocupado o senhor está com a desaceleração da China?

 

Tombini: Achamos que a capacidade da China de sustentar taxas de crescimento de 7% ou 7,5% existe. Vemos essa transição de uma economia exportadora para uma mais focada domesticamente, de manufatura para o setor de serviços, como um processo que está acontecendo. Eles têm capacidade para ir adiante. As pessoas sempre associam o Brasil com a China, como nosso principal parceiro comercial. Mas o Brasil ainda é uma economia relativamente fechada. As exportações em relação ao PIB estão em cerca de 11%, e as exportações brasileiras para a China em relação ao total das exportações brasileiras são da ordem de 17%. Então, quando você faz o cálculo, as exportações brasileiras para a China são de menos de 2% do PIB. É claro que há outras implicações, por meio de outros parceiros comerciais, a Europa e tal. Mas esse é o impacto direto que é mais modesto do que as pessoas acham inicialmente. Estamos acompanhando os movimentos bem de perto, mas nosso cenário base é que eles têm capacidade de continuar fazendo a transição e sustentar taxas de crescimento do outro lado de 7,5%.

 

O EUA notaram que os chineses enfraqueceram sua moeda. Parece que eles estão manipulando diante do crescimento menor. Qual é sua visão?

 

Tombini: O que eu vejo é que o superávit comercial chinês diminuiu significativamente nos últimos cinco anos. Quase desapareceu. O G-20 tem discutido se isso é apenas cíclico porque a economia americana desacelerou após a crise global e também a Europa e se, com a normalização do crescimento, esse equilíbrio pode reaparecer. Ainda é uma questão em aberto.

 

 

(Fonte: Valor Econômico – 11/04/2014)

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