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Notícias - RETS

Brasil, Argentina e Uruguai podem inovar ainda mais na área de biotecnologia

As três décadas de atividades ininterruptas do Centro Brasileiro-Argentino de Biotecnologia (Cabbio, na sigla em espanhol) credenciam a América do Sul a inovar mais a partir de conhecimentos biológicos aplicados à agricultura, à medicina e à produção de alimentos. A avaliação foi feita pelo secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Alvaro Prata, nesta quinta-feira (12), no 2º Simpósio Cabbio de Temas Atuais em Biotecnologia, que reuniu no MCTIC governo, indústria e academia para discutir inovação.

 

“Acompanhamos com muita expectativa esse evento, sobretudo porque entendemos que a biotecnologia assume e precisa assumir cada vez mais uma importância significativa para contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico dos nossos países”, disse Prata. “Há um potencial enorme associado aos temas aqui tratados, com grande preocupação em inovar.”

 

Desde 1987, o programa de integração regional apoia cursos e projetos conjuntos em tópicos definidos pelos dois países fundadores e, mais recentemente, pelo Uruguai. “Nem sempre vemos um empreendimento tão longevo e bem-sucedido na ciência brasileira, ainda mais um exemplo como o Cabbio, que envolve relações internacionais”, destacou o secretário. “Diante de um centro com tanta experiência, qualidade de projetos já realizados e pessoas formadas, podemos cada vez mais focar em aspectos ligados à inovação.”

 

O diretor-geral do Cabbio, Fernando Araripe, creditou a longevidade do centro à paixão pela ciência e à integração sul-americana por parte das pessoas que o conduziram. “A biotecnologia não está apenas na moda, mas veio para ficar. Ela já salvou a humanidade várias vezes e vai salvar de novo quando for convocada”, afirmou, ao recordar as soluções para a epidemia do vírus zika, tema do 1º Simpósio Cabbio de Temas Atuais, realizado em junho de 2017.

 

Para o diretor argentino do Cabbio, Héctor Álvarez, a primeira edição do simpósio surpreendeu ao trazer a público o conhecimento gerado sobre o zika, desde o controle do vetor até tecnologias preventivas, como vacinas, passando pelo diagnóstico e pelo estudo acerca da biologia do vírus. “Nossos colegas brasileiros produziram ciência de grande qualidade”, reconheceu. “Essa capacidade de resposta demonstrou seu compromisso social.”

 

A diretora uruguaia do Cabbio, Mónica Marín, ressaltou que seu país se integrou regularmente ao centro há sete anos. “Cada vez aprofundamos mais nossa participação nesse programa, que é de grande importância para a formação de recursos humanos e a interação entre pesquisadores da região”, comentou. “Trata-se de uma oportunidade para o desenvolvimento dos nossos países, porque temos muitos problemas e desafios em comum para resolver.”

 

Impactos

Segundo o coordenador-geral de Saúde e Biotecnologia do MCTIC, Luiz Henrique Mourão, o Cabbio já lançou, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), 28 chamadas públicas para apoiar capacitação, com 442 cursos realizados – 227 no Brasil, 192 na Argentina, 14 no Uruguai e nove na Colômbia –, de mais de 5,5 mil alunos de diversas nacionalidades latino-americanas. Outros 15 editais financiaram 145 projetos conjuntos bilaterais e, mais recentemente, trinacionais.

 

Os 145 projetos executados ou em andamento geraram avanços no conhecimento científico e tecnológico do continente, a exemplo do domínio de tecnologias de melhoramento vegetal, especialmente para soja, milho e algodão; da indústria alimentícia, como a fabricação de aromas frutais por meio de micro-organismos; da saúde humana, no desenvolvimento de anticorpos monoclonais, na melhoria de imunizantes e em estudos sobre câncer e hepatite B; e da produção de vacinas para animais.

 

“O Cabbio trouxe muitos produtos importantes aos nossos países. Empresas nasceram dentro do centro”, apontou o o diretor-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Jorge Guimarães.

 

Segundo ele, das 42 unidades credenciadas pela Embrapii, 10 têm a biotecnologia como área de competência. “E ainda tem muito espaço para outras unidades aparecerem”, avisou Guimarães, responsável por apresentar no simpósio o modelo de financiamento da organização social, que atua por meio da cooperação com instituições de pesquisa científica e tecnológica, públicas ou privadas, tendo como foco as demandas empresariais e como alvo o compartilhamento de risco na fase pré-competitiva da inovação.

 

 

 

(Fonte: MCTIC – 12/04/2018)

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