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SENAI

Notícias

Indústria 5.0: A reconciliação entre o homem e a máquina

Realidade virtual, Big Data, sensoriamento remoto, equipamentos autônomos, wearables, interfaces entre cérebro e computador (BCI – brain-computer interface), nanotecnologia e exoesqueletos, são apenas alguns exemplos das verdadeiras revoluções tecnológicas que estamos vivendo com a indústria 4.0. Estas verdadeiras dádivas tecnológicas trouxeram além de vários benefícios, desafios para o contexto social, humano e de sustentabilidade que a indústria 5.0 busca solucionar.

 

A extrema automação, na qual “tudo deve estar conectado com tudo” trouxe diversas vulnerabilidades que foram pouco consideradas, em um primeiro memento, pelos verdadeiros entusiastas da tecnologia. Isso porque do ponto de vista tecnológico, os sistemas altamente integrados são vulneráveis a riscos sistêmicos, dependência de TI e eletricidade. Já do ponto de social e político a conectividade extrema, aliada a IA pode criar novas estruturas autoritárias de poder, como é o caso de diversos governos que têm utilizado desses artifícios, muitas vezes de maneiras controversas, para ganhar a opinião pública.

 

Além disso, o mundo está cada vez mais enfrentando desafios de escala global, como esgotamento de recursos naturais, superpordução, aquecimento global, crescente disparidade econômica e terrorismo. Fatores estes que levam a refletir sobre questões legais causadas pela desproporção entre desenvolvimento tecnológico, evolução social e as mudanças refletidas na sociedade.

 

Essas mudanças também englobam o envelhecimento social da população, em contraste com a supervalorização habilidades tecnológicas, que faz com que empregados com conhecimentos Sêniors sejam desvalorizados frente a nova geração Júniors, já que estes já nasceram dentro deste contexto tecnológico. Ou seja, além das desigualdades sociais causadas pelo analfabetismos e analfabetismo funcional, vividos em grande escala em nosso país, a sociedade terá ainda que recolocar àqueles tidos como “analfabetos tecnológicos”, ou com poucas habilidades neste sentido.

 

Neste contexto, a Indústria 5.0 chega com objetivos claros: a resolução de vários desafios humanos e a reconciliação do homem com a máquina. Isso porque esta nova revolução não se concentra apenas na “força de trabalho na faixa etária certa”, mas define as possibilidades abertas para o Juniors, para trabalhadores Seniores, assim como os grupos que por algum motivo não estão sendo considerados úteis neste mercado. Desta manira, é possível que homem e máquina trabalhem em direção a um mundo sustentável, que espera alcançar o desenvolvimento econômico e soluções para questões sociais.

 

Curiosamente, não estamos aqui falando de um mundo idealizado já que a quinta revolução teve inicio (e está em andamento) no mesmo país que deu inicio a quarta revolução: o Japão. Este conceito Sociedade 5.0 já existe no Japão desde 2016, mas foi na CeBIT 2017 (maior exposição comercial do mundo para serviços de telecomunicações digitais e TI que acontece em Hanôver, na Alemanha) que ele foi oficialmente divulgado para o mundo, de maneira entusiasmadas pelo primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe. Além disso, o governo japonês está levando a sério a corrida em direção à Sociedade 5.0, tanto que já divulgou vários comerciais e vídeos que revelam as vantagens do novo conceito para a população com slogans como: “Society 5.0: for the betterman of human lives” (Sociedade 5.0: para a melhoria das vidas humanas).

 

A diferença entre a Indústria 5.0 e a 4.0 é fundamentalmente o toque humano. Atualmente, os robôs já são a base da manufatura, e as tecnologias da Indústria 4.0 oferecem flexibilidade nos processos de manufatura. A Indústria 5.0 funde a criatividade e a habilidade humana com a velocidade, produtividade e consistência dos robôs. Deste modo, os sistemas inteligentes, ao invés de inimigos, passam a contribuir para combater o envelhecimento, diminuir as desigualdades sociais, melhorar a segurança pública e também resolver os problemas ocasionados por desastres naturais.

 

Ainda assim, a indústria 5.0 utiliza a IoT, mas difere dos sistemas de automação predecessores por ter simetria tridimensional (3D) no design do ecossistema de inovação, que possibilita uma estratégia de saída segura integrada em caso de queda de redes de conhecimento digital entrelaçadas e hiperconectadas, dá ênfase igual na aceleração e desaceleração da inovação e utiliza como base pesquisa de ciências sociais e humanas da próxima geração para governança global de tecnologias emergentes.

 

Portanto, a indústria 5.0 está pronta para aproveitar a automação extrema e o Big Data com segurança, política de tecnologia inovadora e ciência de implementação responsável, possibilitadas pela simetria 3D no design do ecossistema de inovação. Apesar do fato de sua complexidade, este tipo de industria é baseado em ferramentas simples, mas eficientes, que são a Metodologia 6R (reconhecer, reconsiderar, realizar, reduzir, reutilizar e reciclar) e os princípios L.E.D (Design de Eficiência Logística) que são transparência, partilha de lucros e eficiência.

 

Estes princípios fazem com que a sociedade 5.0 seja definida como: “Uma sociedade centrada no homem, que equilibra o avanço econômico com a resolução de problemas sociais por um sistema que integra ciberespaço e espaço físico como smart homes, tecnologias vestíveis, mobilidade autônoma, assistentes digitais, energia inteligente etc.”

 

Para Yoko Ishikura, consultora do Fórum Econômico Mundial, membro executivo do conselho de Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo Japonês e grande defensora da ideia, a Sociedade 5.0 tem objetivos claros: a tecnologia centrada na humanidade para nos ajudar a aproveitar a vida da melhor maneira possível. Para isso, ela defende três valores-chave: sustentabilidade, abertura e inclusão.

 

Desta forma é fundamental entrarmos na corrida da Sociedade 5.0 para aproveitar ao máximo da tecnologia e do aprendizado de máquinas com a finalidade obter novos conhecimentos sem perder os valores humanos fundamentais, estabelecendo conexões entre “pessoas e coisas” e entre os mundos “real e cibernético”. Fazendo assim, é possível que as máquinas voltem a trabalhar para o homem, rumo a uma sociedade mais saudável, inclusiva e igualitária.

 

 

 

(Fonte: Saúde Business - 12/02/20)

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