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Políticas Públicas e Economia

Notícias - Políticas Públicas e Economia

Investimento brasileiro prefere a Europa

A crise econômica se tornou uma oportunidade de investimento para as empresas brasileiras, que estão apostando cada vez mais nos mercados da Europa, enquanto os instáveis vizinhos sul-americanos perdem espaço.

Portugal, França e Holanda, por exemplo, aparecem entre os cinco países que mais recebem investimentos brasileiros - excluindo os paraísos fiscais (como ilhas Cayman, que recebeu US$ 8 bilhões de janeiro a novembro deste ano), que não são o destino final do dinheiro.

Aproveitando o mau momento da economia europeia para encontrar barganhas, o investimento na França nos 11 primeiros meses deste ano é 113.800% superior ao do mesmo período de 2006; em Portugal, 2,031% maior.

Resultado: os cinco primeiros destinos europeus do investimento direto brasileiro receberam 16,9% do aporte total, ante 3,7% dos cinco maiores há quatro anos.

"Mesmo com alguns países da América Latina tendo crescido muito, não há tantas grandes empresas e mercados tão consolidados como o europeu e o americano", diz André Sacconato, da consultoria Tendências.

Uma das que aproveitaram esse momento foi a Camargo Corrêa, que, no início do ano, se tornou a maior acionista da cimenteira portuguesa Cimpor, em um negócio de € 1,4 bilhão.

Outro exemplo é a Lupatech, de válvulas industriais, que adquiriu, por € 12,5 milhões, 6,8% da espanhola Vicinay Marine.

Para Sacconato, é provável que as empresas tenham preferido buscar oportunidades nos Estados Unidos e na Europa aproveitando os incentivos do Governo, via Banco Nacional de Desenvolvimento econômico e Social (BNDES), para a formação de atores globais.

"Nunca houve condições tão favoráveis para o investimento brasileiro. Tanto as condições "naturais" - como o câmbio - como as que foram criadas para estimular esse avanço, que é o caso dos aportes do BNDES".

América do Sul

O mesmo movimento não se repete na América do Sul, com exceção do Chile, já que o investimento na região está em declínio, principalmente na Argentina (de 5,9% do total em 2006 para 1,7%).

Para o embaixador Sérgio Amaral, ministro do Desenvolvimento no governo FHC, esse recuo se deve ao fato de os aportes já terem sido realizados. "A maior parte das grandes empresas brasileiras já está na América Latina. Pode ter caído porque elas estão buscando outras oportunidades".

Sacconato diz que a instabilidade na América do Sul também é um fator. Empresas como Odebrecht, Braskem e EBX tiveram problemas com governos da região.

Ele separa a região em duas partes. "Há países como Argentina, Equador, Bolívia, Venezuela, em que o investimento é arriscado, mas tem outros, como Chile e Peru, que têm estrutura para receber investimentos".

Análise: Internacionalização de empresa brasileira é caminho sem volta

A internacionalização de empresas de países em desenvolvimento não é mais uma opção a ser feita, mas uma realidade que ganhou, vem ganhando e ganhará cada vez mais espaço nos próximos anos.

As empresas brasileiras não são exceção. Trata-se de um caminho sem volta, levado a cabo por empresas de economias emergentes com vistas a ganhos de competitividade necessários para a sobrevivência dessas transnacionais não apenas na arena global, mas até nos mercados domésticos.

Nessa busca pela competitividade, os fluxos de investimento direto estrangeiro originados em economias latinas foram superados pelos fluxos de IDE originados em economias asiáticas.

Esse movimento vem sendo realizado pelo setor privado de economias emergentes seja com, seja sem, ou seja contra o Governo.

Isso não significa que não haja espaço para políticas públicas no Brasil voltadas à internacionalização. Pelo contrário. Esse espaço há, contempla desafios complexos, e precisa ser preenchido.

A realização de investimentos diretos no exterior não deve constituir um objetivo "per se", mas sim uma ferramenta para atingir o desenvolvimento.

Portanto, o que cabe aos formuladores de políticas públicas agora não é questionar se as empresas brasileiras devem ou não devem se internacionalizar, mas sim criar um ambiente de negócios favorável, estimular a competitividade, criar as condições de concorrência no mercado internacional e assegurar o máximo de benefícios para o País.

O Brasil está aquém de outros países emergentes nesse fronte. A complexidade desse desafio aumenta por conta do fato de que não há um caminho único a ser percorrido. Há diferentes opções de políticas públicas possíveis já utilizadas em países desenvolvidos.

O que se pergunta, entretanto, é o quanto essas políticas são adequadas para economias em desenvolvimento como o Brasil. O que devemos buscar é um caminho que reúna as melhores práticas dos países já desenvolvidos e em desenvolvimento, combinadas com o que achamos ser mais aplicável ao tipo de crescimento que queremos para o País.

Criação de valor adicionado, ganhos de competitividade, desenvolvimento da capacidade de inovação: esses são os benefícios que a internacionalização pode nos proporcionar.

Luis Afonso Lima é diretor-presidente da Sobeet (Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica).


(Fonte: Folha de S. Paulo - 25/12/2010)

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