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Patentes

Notícias

Burocracia emperra inovação no Brasil

A demora de análise do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), órgão vinculado ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, para patentear tem levado inventores brasileiros aos Estados Unidos buscar essa aprovação num tempo até quatro vezes menor do que no País. Um estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que, se a velocidade de análise de novas patentes não aumentar, até 2029, haverá um estoque de 350 mil pedidos esperando por exame no Brasil, um crescimento de 55% em relação ao estoque atual de processos, de 225 mil.

 

Essa situação é preocupante porque a Indústria 4.0, que engloba as principais novidades tecnológicas, e começa chegar ao Brasil, exige inovação constante, conclui o estudo da CNI. Com a demora na aprovação de patentes industriais, o Brasil está ficando para trás nessa corrida. E os pedidos de patentes recebidos pelo Inpi vêm caindo. No ano passado, foram 28.667, queda de 7,6% em relação a 2016. Enquanto isso, a China foi o primeiro país a atingir o número de um milhão de pedidos de patentes num único ano. Esse crescimento, segundo o estudo da CNI, reflete a digitalização da economia do país, com o emprego maciço de tecnologias.

 

Saulo Suassuna Filho, fundador e presidente executivo da empresa Molegular, que desenvolveu um método inovador de elaboração de plantas de edifícios, foi buscar nos Estados Unidos a aprovação de sua invenção, que permite a composição de apartamentos em módulos, uma espécie de "lego", em que os espaços podem ser subtraídos ou somados de acordo com a necessidade da família. "Para não esperar a patente brasileira, recorri aos Estados Unidos. Lá o processo é muito mais rápido, mais barato e desburocratizado", disse ele, que já conseguiu a patente após esperar pouco mais de três anos.

 

O estudo da CNI mostra que, enquanto na China a aprovação de uma patente acontece em três anos, no Brasil demora, em média, 10. Essa defasagem é causada por falta de gente e de recursos para investimentos no Inpi. "Com o tempo de vida curto de produtos tecnológicos, de dois a três anos, a rapidez no exame de uma patente é decisiva. Demorar uma década para aprovar uma patente é incompatível com inovação", explica João Emílio Gonçalves, gerente executivo de política industrial da CNI.

 

O levantamento da CNI revela que, enquanto nos Estados Unidos existe um exército de oito mil examinadores para aprovar o estoque de 549 mil pedidos de patentes, no Brasil são apenas 458 pessoas. Na prática, cada examinador norte-americano terá que analisar 67,3 processos, enquanto cada profissional brasileiro tem 491,5 pedidos a desembaraçar. Na China, o órgão de patentes tem 10.300 examinadores, e o tempo médio de exame é de 2,8 anos.

 

O gargalo do Inpi é apenas um dos fatores que emperram a inovação no País. Para o engenheiro eletrônico e físico Carlos Henrique de Brito Cruz, que está à frente da diretoria científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e é especialista em inovação, a maior parte das indústrias no Brasil não tem interesse em inovação tecnológica. Isso porque o País vem perdendo espaço na "cadeia global de fornecedores".

 

"A maioria das empresas brasileiras não tem interesse em se internacionalizar, em competir globalmente. Por isso, o País vem perdendo espaço nessa cadeia global de fornecedores. Uma exceção é a Embraer, que compete no mercado global de aviação e precisa inovar para sobreviver", alega Brito. Ele observa que das 10 principais instituições que fizeram pedidos de patente de invenção no Brasil em 2017, nove são universidades e apenas uma é empresa. Trata-se de uma anomalia, já que, nos países que se desenvolvem com base no conhecimento, a maior parte das pesquisas acontece nas empresas.

 

O estudo da CNI recomenda a reestruturação do Inpi, com contratação de mais examinadores para que o tempo de exame dos processos seja reduzido para pelo menos quatro anos. Além disso, o órgão precisa ter autonomia financeira para investir.

 

 

 

(Fonte: Jornal do Comércio - 16/07/18)

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