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Políticas Públicas e Economia

Notícias - Políticas Públicas e Economia

O futuro da indústria

Por Luciano Coutinho

Murchou, infelizmente, a esperança de retomada firme da economia. As expectativas de crescimento do PIB, segundo o boletim Focus, caíram para 0,39% em 2017 e 2% em 2018. Esse crescimento lento realimenta círculos viciosos: as receitas tributárias minguam, o déficit público infla e a relação dívida bruta/PIB sobe a níveis preocupantes.

 

Se depender do crédito a economia dificilmente crescerá em 2017. O estoque oferecido às empresas continuou se retraindo nesse 1º semestre. Em maio caiu 1%. Segundo o BC o volume de crédito às pessoas jurídicas recuou de R$ 1,71 trilhão em dezembro de 2015 para R$ 1,48 trilhão em maio de 2017 (queda de R$ 230 bilhões). No mesmo período o crédito à indústria encolheu 22%.

 

Apesar dos repiques em abril e maio a vida da nossa indústria manufatureira continua difícil: a produção industrial e a formação bruta de capital fixo se encontram, hoje, respectivamente, 24% e 32% abaixo do patamar observado em 2014. O crescimento em ritmo tartaruga e a alta ociosidade fabril retardarão a recuperação dos investimentos. A demanda derivada da pujança da agricultura e a exportação são os únicos fatores positivos de tração - sendo seus efeitos concentrados em setores dominados por grandes empresas.

 

A política de ciência e tecnologia precisará ser mais eficiente para impulsionar a indústria em direção ao futuro

 

Em resumo, a indústria brasileira se defronta com sério desafio de sobrevivência e suas pequenas e médias empresas remanescem sufocadas pelo arrocho creditício. Mas, além da luta pela sobrevivência no curto prazo, se aguça a ansiedade diante de inovações tecnológicas disruptivas nos próximos dez anos.

 

As tecnologias de informação e comunicações (TICs) evoluem para um novo estágio de ampla interconexão, via internet, entre computadores, máquinas, equipamentos, sensores, celulares, tablets. Segundo a OCDE, o número de "coisas" conectadas via "internet das coisas" ascenderá de 1 bilhão em 2016 para cerca de 14 bilhões em 2022. Em 2030, o número de dispositivos pessoais de acesso à web pode alcançar 8 bilhões e o total de objetos conectados pode alcançar 30 bilhões, formando uma super rede global integrada e interconectada.

 

A indústria fará parte desta imensa rede. A automação via internet transformará profundamente as cadeias industriais. Os processos de gestão empresarial, manufatura, suprimento, estocagem, manutenção, logística, comercialização, marketing, inteligência de mercados tendem a mudar radicalmente. Essa automação interconectada, combinada com avanços da robótica e da manufatura aditiva (impressão 3D), ensejará notáveis saltos de produtividade.

 

A completa digitalização dos elos das cadeias de valor propiciará inédita capacidade de acumular dados em grande escala (Big Data). Esse dados, devidamente estruturados, serão analisadas (Data Analytics) para otimizar processos e, muito importante, para viabilizar o aprendizado autônomo de máquinas e sistemas através da Inteligência Artificial (IA).

 

Processos artificiais de aprendizado, baseados em algoritmos matemáticos que emulam redes neurais, utilizarão a Big Data para identificar padrões e perfis, por exemplo, de indivíduos, entidades, doenças, fenômenos científicos; reconhecer imagens; reconhecer linguagens e interagir por comando de voz.

 

Dotados de capacidade computacional de alto-desempenho, equipamentos avançados poderão adquirir capacidades cognitivas próprias (visão, sensoriamento, comunicação multimodal, raciocínio lógico). O acúmulo dessas capacitações viabilizará a aprendizagem, a autonomia operacional e a independência decisória destes equipamentos. Incipiente, a IA já promete inovações impactantes: carros autônomos; robots capazes de imitar e aprender; sistemas inteligentes de diagnóstico médico, gestão de estoques, manutenção preventiva.

 

Paralelamente às transformações geradas pelas TICs, a convergência de supercomputação em nuvem, com custo acessível, e instrumentos de pesquisa científica muito mais poderosos impulsiona rápidos avanços na genômica, neurociências, nanotecnologias, nanomateriais e armazenamento de energia. Os sistemas de saúde, energia, educação, agropecuária, transportes, infraestruturas - e seus respectivos setores industriais supridores de bens e serviços serão profundamente impactados.

 

Apesar de atrasada na absorção dessas inovações radicais a indústria brasileira não está condenada à guilhotina. Em muitos setores ela tem condições de acompanhar e gerar inovações relevantes. São exemplos: as agroindústrias; os insumos básicos (por exemplo, siderurgia, celulose, insumos para construção); as cadeias química e petroquímica; o setor de petróleo e gás; a cadeia automotiva; a cadeia aeronáutica; os bens de capital (por exemplo, máquinas agrícolas, para energia, motores, máquinas-ferramenta); a farmacêutica; os bens de consumo (por exemplo, têxtil-vestuário, calçados, cosméticos, eletrodomésticos). Em setores incipientes como o das TICs as oportunidades se multiplicarão. A onda de inovações abrirá espaço crescente para start ups e PMEs de base tecnológica.

 

Mas, para que a indústria possa defletir as disrupções e tirar proveito das oportunidades a economia precisa sair logo da crise. É possível reduzir os juros mais incisivamente e, além disso, estimular o crédito de giro com custos menores. É urgente relançar os investimentos em energia e infraestruturas através do setor privado. A política de ciência, tecnologia e inovação precisará ser mais eficiente, perene e muito mais forte para impulsionar a nossa indústria em direção ao futuro. Ou, então, esquece, o futuro será dos outros. O nosso... uma pálida miragem.

 

Luciano Coutinho, economista, é professor convidado do Instituto de Economia da Unicamp

 

 

 

(Fonte: Valor Econômico – 06/07/2017)

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