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Políticas Públicas e Economia

Notícias - Políticas Públicas e Economia

Brasil e Israel buscam maior cooperação em segurança pública e tecnologia

Ainda retomando o ritmo após um período de estranhamento diplomático entre o fim de 2015 e o início de 2017, diplomatas de Brasil e Israel prometem estimular a cooperação bilateral em áreas estratégicas, sobretudo quando o assunto é tecnologia, um setor de excelência no país do Oriente Médio. Com a possibilidade de uma visita do premier Benjamin Netanyahu ao Brasil na primeira semana de junho pairando no ar, o comércio é o principal elo entre as duas nações, mas ainda não atinge todo o seu potencial, segundo autoridades. Enquanto isso, aumenta anualmente o número de brasileiros vivendo em Israel, atraídos pelas melhores condições de vida, e esta comunidade vem se integrando para a ajuda mútua no processo de adaptação.

 

Segundo o embaixador do Brasil em Israel, Paulo Cesar Moreira de Vasconcellos, não houve risco de suspensão das relações bilaterais, mesmo durante o ano em que o cargo de embaixador israelense em Brasília ficou vago, e agora os dois lados estão "varrendo para baixo do tapete" o "momento de turbulência". O congelamento temporário aconteceu quando autoridades israelenses divulgaram antecipadamente a escolha de Dani Dayan, de clara posição a favor dos assentamentos em territórios palestinos, para o cargo de embaixador no Brasil, e o governo brasileiro disse não à sua vinda. Vasconcellos diz que, agora, estão em curso conversas para fechar um acordo de Defesa, que permitirá negócios diretos entre governos e mais transferência de tecnologia ao Brasil. Este tipo de colaboração é uma das principais plataformas defendidas por Yossi Shelley, o embaixador de Israel no Brasil, que assumiu no ano passado após o tempo de estremecimento.

 

Em recente encontro oficial com Netanyahu, o chanceler Aloysio Nunes declarou que o Brasil analisará caso a caso antes de posicionar em votações internacionais sobre a questão árabe-israelense. Chamando o presidente Michel Temer de "mais pragmático" do que os governos anteriores, Vasconcellos ressaltou que, no entanto, o Brasil não seguirá os Estados Unidos no reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel:

 

— Nossa posição é muito clara: não vamos mudar a capital para Jerusalém enquanto o seu não for decidido. Seguimos uma série de resoluções da ONU neste sentido, e isso deve ser negociado entre palestinos e judeus. Estaríamos avançando o sinal, como acredito que o presidente dos EUA vem fazendo, e prejudicando um eventual plano de paz.

 

Focados na transferência de estratégias de Defesa, os laços comerciais entre os dois países vêm se expandindo para a área de segurança pública, na qual soluções israelenses para problemas relacionados à violência urbana vêm interessando cada vez mais autoridades e empresas brasileiras. Há conversas em curso também sobre a exportação da tecnologia de dessalinização de Israel — onde está a maior usina deste processo do mundo. Na rota inversa, do Brasil a Israel, a exportação do agronegócio, sobretudo de carne, é predominante, tendo sobrevivido sem estremecimentos aos tempos da Operação Carne Fraca, segundo os dois lados.

 

Ao GLOBO, o coordenador da mesa do Brasil no Ministério das Relações Exteriores de Israel, Oren Bar- El, acredita que ainda há um longo caminho, no entanto, para aproveitar todo o potencial comercial entre os dois lados. Citando a posição do Brasil sobre Dayan como "quase beligerante", garante que "as relações já estão mais do que normais". Disse que uma visita de Netanyahu não está de fato garantida por enquanto e depende do calendário eleitoral do Brasil — o premier também está envolvido em problemas internos, como investigações por corrupção envolvendo a sua família —, mas poderia acontecer na primeira semana de junho.

 

— As relações são muito pequenas em comparação ao seu potencial, representando em torno de US$ 1 bilhão anuais em comércio bilateral. É pouco se pensarmos que Israel foi o primeiro país a firmar acordo de livre comércio com o Mercosul. E temos que melhorar também o intercâmbio cultural, sabendo usar como vetor a comunidade judaica no Brasil, que é muito comprometida a estreitar estes laços.

 

JUDEUS NA ROTA BRASIL-ISRAEL

O Brasil é hoje o quinto país de onde mais partem imigrantes judeus para Israel, atrás de Estados Unidos, França, Rússia e Ucrânia. Hoje em dia, há cerca de 12 mil brasileiros vivendo no país, e a comunidade brasileira vem aumentando nos últimos anos, sobretudo desde 2014. Para auxiliar os recém-chegados, a Casa Beit Brasil, formada por uma rede de 150 voluntários que já vivem no país, oferece orientações e dicas para a nova vida.

 

Até hoje, 2 mil pessoas já foram auxiliadas pela organização, cujos membros estão espalhados por toda Israel. Em 2017, cerca de 900 brasileiros foram viver no país, um recorde que equivale a, em média, 18 novos moradores por semana. Até 2014, a média girava em torno de 150 novos imigrantes por ano. A maioria deles vem de São Paulo e Rio, onde está concentrada a comunidade judaica no Brasil. Os jovens tendem a procurar a vida na moderna Tel Aviv, enquanto as famílias geralmente se espalham pelas grandes e pequenas cidades.

 

Os conselhos da Casa Beit Brasil passam por orientação profissional, trâmites burocráticos e integração cultural. Além disso, os membros mais ativos da comunidade querem mais representatividade para os brasileiros no cenário político, para que estes imigrantes tenham o caminho facilitado para aprender hebraico e conseguir empregos, por exemplo. Estes são benefícios já concedidos a outras comunidades, como os russos, que compõem cerca de 20% da população de Israel, com 1,5 milhão de pessoas.

 

— O perfil numérico da imigração já mudou muito. Os grupos começaram a chegar e queriam se reunir. Para nós, o que era antes só ajuda na chegada se tornou o fortalecimento da comunidade brasileira em Israel — explica Gerson Lerner, um dos líderes da Casa Beit Brasil.

 

A maioria dos brasileiros emigra para fugir das dificuldades da terra natal. Mas a vida lá nem sempre é fácil. É o que sentiu na pele Sidney Schapiro, de São Paulo, que há dois anos se transferiu para Tel Aviv. O ortopedista, quando chegou, passou um tempo trabalhando como estoquista, aprendendo hebraico e fazendo estágios. Agora, depois de um longo período de adaptação, já foi convidado por fisioterapeutas israelenses para trabalhar como médico de jogadores de rugby.

 

— A vida aqui é muito cara, e a dificuldade da língua é imensa. A gente vem para cá em busca de segurança para nossos filhos e de qualidade de vida — explica Sidney.

 

 

 

(Fonte: O Globo – 14/05/2018)

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