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Políticas Públicas e Economia

Notícias - Políticas Públicas e Economia

Com queda em alimentos, inflação desacelera em julho e fica em 0,33%

Depois de acelerar por três meses consecutivos, a inflação oficial brasileira, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), recuou para 0,33% em julho. No acumulado em 12 meses, o índice ficou em 4,48%, um avanço em relação a junho, quando o percentual foi de 4,39%. Os dados foram divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira. A mediana calculada por analistas consultados pela Bloomberg previa uma inflação oficial de 0,26% em julho e de 4,41% no acumulado em 12 meses.

 

Houve queda de 0,12% no preço de alimentos e bebidas, após a alta de 2,03% registrada em junho ainda em decorrência da greve dos caminhoneiros. No grupo vestuário, também houve deflação, de 0,6%.

 

Fernando Gonçalves, coordenador de Índices e Preços do IBGE, indica que a desaceleração do IPCA em julho foi causada, principalmente, por causa dos alimentos.

 

— Os alimentos tiveram realinhamento de preços. Nas duas primeiras semanas de junho, os itens alimentícios ainda estavam com preços acima das médias por causa da greve dos caminhoneiros. Além disso, também existe a questão de que alguns produtos tiveram queda mais acentuada nos preços, por questões de safra.

 

O coordenador do IPCA avaliou que, aparentemente, os efeitos da greve dos caminhoneiros foram pontuais. Porém, é preciso aguardar os dados da inflação de agosto para afirmar categoricamente.

 

— Na divulgação dos dados sobre a inflação de agosto poderemos ver um retrato mais fiel sobre os impactos da greve dos caminhoneiros. Aparentemente, foi um impacto pontual, retratado no índice de junho. Julho foi um mês que, ao que tudo indica, não teve muita influência da greve. Entretanto, foi um mês de férias escolares e Copa do Mundo. Com a divulgação do índice de agosto, poderemos afirmar, dependendo dos índices, que os efeitos da greve dos caminhoneiros realmente foram pontuais — explicou ele.

 

Reflexos da greve dos caminhoneiros

Os especialistas também consideram que ainda não é possível afirmar categoricamente que os efeitos da greve dos caminhoneiros nos preços já foram superados.

 

— O impacto direto da paralisação dos caminhoneiros já foi dissipado, em grande parte, nos preços. Entretanto, é importante ressaltar que alguns itens, principalmente do grupo de alimentação, ainda vão levar mais tempo para reverter a alta de junho. Este é o caso da carne de frango e de suínos, por exemplo. A perda de matrizes destes animais faz com que ainda seja necessário esperar cerca de três meses para que a alta por causa da greve seja superada — indicou Luis Otávio Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil.

 

Alessandra Ribeiro, responsável pela área de macroeconomia da Tendências Consultoria, também indica que é cedo anunciar o fim dos efeitos da greve dos caminhoneiros:

 

— Uma grande parte dos efeitos dos dias de greve já foi revertida, principalmente nos alimentos in natura (verduras, tubérculos, legumes etc.). Na ausência deles nas prateleiras, os preços subiram muito. Mas, quando os estoques foram repostos, voltamos à normalidade. No caso das carnes, também foi registrada deflação. Porém, dentro deste grupo há algumas cadeias, como frango e suínos, que ainda não reverteram a alta. Com a morte de animais, vai ser necessário mais tempo para que a alta no grupo seja totalmente revertida.

 

De fato, o alimentos tiveram deflação bastante acentuada em julho. A cebola saiu de uma alta de 1,42% em junho para uma queda de 33,5% em julho. A batata inglesa, em igual período, foi de 17,16% para -28,14%, e o tomate reverteu a alta de 0,94% em junho com uma deflação de 27,65% em julho. Porém, o leite longa vida continua em patamares elevados. Em julho, o produto registrou alta de 11,99%. O coordenador do IBGE explica que, neste caso, pesa a questão climática.

 

— As áreas produtoras de leites estão enfrentando um período de seca. Com isso, o pasto fica mais restrito e o produtor rural precisa recorrer à ração para alimentar seus animais. Isso encarece o produto final. Precisamos aguardar os próximos meses para saber se o produto vai devolver esta alta — indicou Gonçalves.

 

Em relação às quedas de vestuário e educação, os analistas indicam que foram movimentos sazonais.

 

— Julho foi um mês em que o inverno não veio tão rigoroso no Sudeste, então é provável que a o setor de vestuário tenha tido deflação pelo segundo mês seguido por causa da antecipação das liquidações nas lojas. Sobre a Educação, foi uma questão pontual — disse Leal, do ABC Brasil.

 

Combustíveis também contribuíram para a desaceleração do IPCA em julho

Entre as 16 capitais e regiões metropolitanas pesquisadas, São Paulo teve a maior alta do IPCA, de 0,63%. O Rio veio logo em seguida, com alta média de 0,59% dos preços, puxado pela energia elétrica residencial, que embora tenha desacelerado em relação a junho, ficou em 3,04%, e pela alimentação fora do domicílio, que acelerou de 0,51% para 0,86%. Já na ponta está Campo Grande, com deflação de 0,37%.

 

Os combustíveis, que em junho tiveram forte aceleração, recuaram em julho. A gasolina, que em junho teve alta de 5% em nível nacional, registrou deflação de 1,01% em julho. No caso do Rio, o derivado do petróleo saiu de uma alta de 7,07% para deflação de 1,67% em julho.

 

— A alta em alimentação fora do domicílio foi por causa das férias e da Copa do Mundo. Por isso, refeição e lanche foram os itens que tiveram as maiores altas no setor — indicou Gonçalves.

 

Energia elétrica: a "nova vilã" da inflação

Além de alimentação e vestuário, também o item educação teve deflação, com queda de 0,08%. Por outro lado, o grupo habitação, com alta de 1,54%, teve o maior peso na inflação, respondendo por 0,24 ponto percentual da alta de 0,33% do IPCA nacional.

 

Isoladamente, o item energia elétrica foi o de maior impacto no índice. Com alta de 5,33% em julho, na comparação com o mês anterior, as contas de luz tiveram peso de 0,20 ponto percentual no IPCA. Além da continuidade da vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 2, com a cobrança adicional de R$ 0,05 por kwh consumido, algumas capitais tiveram reajustes nas tarifas, como Porto Alegre (21,51%) e São Paulo (15,84%). No ano, a energia elétrica acumula alta de 13,78% e, em 12 meses, 18,02%.

 

— Muitos fatores relacionados à energia elétrica acabam tendo repasse de custos para os consumidores. As tarifas sendo aumentadas, os reservatórios menos abastecidos e as questões climáticas dão o tom para que, possivelmente, a energia elétrica continue pesando bastante na inflação dos próximos meses — avaliou Alessandra, da Tendências.

 

Retomada do crescimento ainda lenta

Os preços de serviços, embora tenham acelerado para 0,68% em julho, na comparação com o mês anterior, ainda demostram que a retomada do crescimento está sendo feito vagarosamente. No acumulado em 12 meses, o índice de julho interrompe uma queda de nove meses seguidos, entretanto, ainda dá indícios de que a demanda dos consumidores ainda não está totalmente recuperada.

 

— Tirando os efeitos da greve, ao observarmos os números da inflação, é possível interpretar que o país está em um cenário de atividade econômica bem moderado. Isso pode ser compreendido como um reflexo da demanda dos consumidores que ainda não aumentou. Quando excluímos a greve, a leitura é que estamos saindo da recessão em um compasso bem moderado — analisou Alessandra.

 

O economista Leonardo Costa, da Rosenberg Associados, também analisa que a retomada da economia está bem lenta:

 

— A retomada da economia ainda está caminhando de forma lenta. O índice de serviços, embora tenha acelerado para 0,68% em julho, continua sendo influenciado pela atividade econômica mais fraca e pelo desemprego que está bastante elevado.

 

O que puxou o índice de serviços foram as passagens aéreas, com alta de 44,51% em relação a junho, e da alimentação fora de domicílio. O primeiro item foi fortemente influenciado pelo período de férias escolares. O segundo também absorveu esta influência, além das demandas surgidas no período de Copa do Mundo.

 

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, e se refere às famílias com rendimento monetário de um a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além de Brasília e dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

 

 

 

(Fonte: O Globo – 08/08/2018)

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