Rio de janeiro
Agenda Inovação Novembro -   Dezembro    -     Janeiro Voltar 2019 -   2020 Avançar
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • D
  • S
  • T
  • Q
  • Q
  • S
  • S
  • 01
  • 02
  • 03
  • 04
  • 05
  • 06
  • 07
  • 08
  • 09
  • 10
  • 11
  • 12
  • 13
  • 14
  • 15
  • 16
  • 17
  • 18
  • 19
  • 20
  • 21
  • 22
  • 23
  • 24
  • 25
  • 26
  • 27
  • 28
  • 29
  • 30
RETS

Notícias - RETS

Distribuidoras de energia brasileiras querem tornar as redes elétricas inteligentes

As empresas distribuidoras de energia do País ensaiam finalmente os primeiros movimentos para tornar as redes elétricas inteligentes, seguindo o modelo conhecido por smart grid. Para mapear quais inovações serão necessárias para alcançar essa evolução, a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) e a Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel) estão elaborando, em parceria com institutos de pesquisa, um projeto estratégico de pesquisa e desenvolvimento (P&D) que deverá orientar os investimentos em inovação a serem feitos pelas empresas do setor. O modelo de smart grid será um dos temas de seminário do Abinee Tec 2011, que também será palco da 3ª edição do Encontro Nacional de Inovação Tecnológica da Indústria Elétrica e Eletrônica (Enitee), no fim de março.

Há firmas que se adiantaram em relação à iniciativa das entidades setoriais e estão com projetos de P&D em smart grid já em andamento. É o caso da Light, cujo programa de pesquisa iniciado há apenas três meses já gerou seis pedidos de patentes; da Cemig, parceira da Light no programa que terá R$ 65 milhões de investimento, e de outras companhias como o grupo AES e a Eletrobrás.

O smart grid reduz custos das distribuidoras, ajuda o consumidor a usar melhor a energia e economizar e otimiza a distribuição de energia de acordo com a demanda nos diferentes períodos do dia, gerando impacto positivo para todo o sistema. Um dos parceiros da Abradee e da Aptel é o CPqD, que fará pesquisas em smart grid envolvendo telecomunicações, tecnologia da informação e interoperabilidade.

Serão seis meses de trabalho, que vão resultar em diretrizes para subsidiar as decisões e investimentos que as empresas distribuidoras devem fazer para migrar para o sistema inteligente. Esse trabalho será disponibilizado para as 43 empresas estatais e privadas associadas à Abradee. Juntas, elas atendem 99% do mercado brasileiro de energia elétrica.

O projeto piloto da Light em parceria com a Cemig deverá receber R$ 35 milhões de investimentos da firma carioca e R$ 30 milhões da empresa mineira. O valor é parte da aplicação obrigatória que todas as empresas do setor de energia precisam fazer em atividades de P&D, como determina a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Mais de 200 pesquisadores deverão trabalhar no projeto ao longo de seus três anos de execução. São parceiros, além do CPqD, a empresa CAS Tecnologia, que faz sistemas de medição eletrônica e telemedição, e o Lactec, instituto de pesquisa do Paraná. A tecnologia é totalmente nacional. Atualmente está na fase de desenvolvimento dos protótipos, indo para a industrialização. A expectativa das empresas é que o sistema desenvolvido por eles tenha um custo inferior a sistemas equivalentes já existentes em outros mercados.

Testes no Rio e em Minas

O projeto prevê testes em 1.000 residências no Rio e 2.000 em Minas Gerais, respectivamente. A Light pretende começar os testes nas casas dos clientes no segundo semestre desse ano. A seleção dos participantes se dá de acordo com a necessidade do projeto. A Light está fazendo uma combinação dos aspectos técnicos, topológicos e sociais para escolher os clientes que convidará para participar dos testes - não haverá ônus financeiro para os participantes. Já selecionou quatro áreas localizadas em unidades de polícia pacificadoras (UPPs), na Barra da Tijuca e na Zona do Sul do Rio. Fará testes com consumidores que morem em residências e em prédios, para avaliar as interferências topográficas.

Garimpo de tecnologias

Já existem no mercado nacional dispositivos de medição inteligente e de automação da rede elétrica, sensores, infraestrutura de comunicação e sistema da tecnologia da informação que podem ser aplicados para tornar as redes elétricas inteligentes. "Há tecnologias no mercado que podemos usar, outras que precisam ser adaptadas, customizadas, testadas porque nem tudo o que existe nos serve. Estamos falando em desenvolvimento de dispositivos e em seleção de algumas tecnologias que ofereçam a melhor arquitetura para a realidade brasileira", ressalta Luiz José Hernandes, consultor para estratégia comercial junto ao setor elétrico e coordenador do programa de smart grid do CPqD.

Estados Unidos, Canadá, Austrália e vários países da Europa trabalham com redes elétricas inteligentes há mais tempo. Um dos primeiros desafios tecnológicos para a implementação dos sistemas inteligentes no Brasil, identifica o coordenador do programa de smart grid do CPqD, está no fato de muitas residências ainda usarem os medidores eletromecânicos antigos. Para migrar para medidores eletrônicos, a Aneel está preparando um plano de transição, que passa pelo processo de homologação e aprovação dos novos medidores eletrônicos que poderão ser usados no País.

Medidores eletrônicos e tomadas mais inteligentes

Os projetos de P&D das empresas estão começando com o desenvolvimento da medição eletrônica e da telemedição (medição feita de forma remota). A Light, por exemplo, está desenvolvendo seu medidor inteligente. "Hoje os medidores têm alguma inteligência, pois já se comunicam remotamente com o centro de controle [da distribuidora], conseguimos cortar medidores remotamente, mas o que a Aneel está querendo é a substituição por um sistema mais inteligente do que existe hoje. Esse medidor que estamos desenvolvendo é compatível com todas as funcionalidades que a Aneel solicita para a substituição massiva dos medidores", afirma Fábio Toledo, assessor da diretoria de projetos da Light.

O novo medidor deverá mostrar ao cliente o seu consumo de energia não apenas em quilowatts hora, mas em reais, explica Toledo. Na descrição da tecnologia feita por Luiz Hernandes, do CPqD, o novo medidor deverá ter o tamanho de um porta-retrato digital, contará quanto o cliente está consumindo de energia naquele momento, durante o dia, e até fará a projeção do consumo de energia para o restante do mês, de acordo com o histórico. "O display tem painéis luminosos de cores vermelha, amarela e verde que mostram o quão grande é o consumo e a tarifa da sua residência naquele momento. O consumidor pode se orientar intuitivamente sobre quais equipamentos são os vilões do consumo, pode associar essas informações aos horários de tarifa mais barata. Terá capacidade de agir proativamente, porque acompanha em tempo real o seu consumo e as projeções", explica Toledo. "E tudo isso é programável pelo consumidor, sem interferência da concessionária", acrescenta.

Outra tecnologia em desenvolvimento na Light que envolve o conceito de smart grid são as tomadas inteligentes. Esse dispositivo permite que o consumidor elimine o consumo de energia de aparelhos que ficam em stand by, como conversores de TV, aparelhos de DVDs, games, relógios de aparelhos de microondas e de som. Em virtude dos LEDs que ficam funcionando todo o tempo, aparelhos em stand by acabam sendo responsáveis por, em média, 15% do consumo de energia dos clientes. "Com a tomada, poderemos desligar certos equipamentos nos momentos em que a tarifa é mais cara", exemplifica Toledo. O dispositivo permite ao consumidor saber quanto é o consumo de energia de cada aparelho. "A pessoa pode, por exemplo, programar que a máquina de lavar só funcione fora do horário de ponta [termo técnico para os horários de pico de uso de energia, como o das 18h às 21h]", completa Hernandes.

A Light investiga também os vários canais de comunicação que poderá usar para falar com seus clientes, já que o medidor inteligente e a telemedição abrem novos caminhos. Essa é uma linha de pesquisa do CPqD, que trabalha em tecnologias multimídia com o objetivo de aproveitar essas oportunidades. "Serão desenvolvidas formas indiretas de interação com o consumidor. As informações vistas no display poderão ser acessadas por um portal web, pela TV Digital, pelo celular, poderemos ter aplicações para baixar no celular", enumera Hernandes.

A Light também investigará inovações em smart grid já com a perspectiva da chegada dos veículos elétricos e híbridos ao Brasil. Também vai estudar tecnologias em smart grid já antevendo a ampliação do uso da energia solar e a possibilidade de os clientes que têm painéis fotovoltaicos poderem vender a energia que não consumirem para a rede.

Desafios tecnológicos em tecnologia da informação e comunicação

Outra área alvo do esforço de P&D das empresas está na infraestrutura de comunicação para atender a telemedição, a automação e o sensoriamento da rede de distribuição de energia em larga escala. "Precisamos de infraestrutura eficiente em termos de cobertura, disponibilidade, confiabilidade e custo", pontua Hernandes. Esses são assuntos de competência de P&D específicas do CPqD. Em seu programa de P&D em smart grid, um dos focos está na automação da rede. "Elas poderão ser monitoradas de forma mais eficiente porque os medidores podem funcionar também como sensores", explica Toledo.

Se as distribuidoras conseguem, a partir dos medidores inteligentes e da telemedição, saber o comportamento diário dos clientes, poderão operar melhor a rede. Se a empresa tem sensores, pode localizar os defeitos mais rapidamente, isolar os trechos defeituosos e reconfigurar a rede automaticamente. Mas tudo isso depende de inovações em sistemas de tecnologia da informação e da comunicação. "São sistemas computacionais que dão suporte aos processos de negócios das distribuidoras, tais como a operação, a manutenção, o planejamento, e que passam a ser muito mais eficientes quando a empresa tem a informação da carga, tem os sensores, os recursos de automação de larga escala", acrescenta Hernandes. Tudo isso precisa operar de forma integrada e chegar rapidamente a quem toma as decisões nas áreas de operação, manutenção e planejamento das distribuidoras. E mesmo nos países mais avançados, ainda há muito para desenvolver e inovar nesse campo, segundo Hernandes.

Claro que os benefícios do smart grid recaem sobre o bolso das empresas também. A rede elétrica é dimensionada para dar conta do pico de consumo de energia. Assim, fora dos chamados horários de ponta, a rede está operando com folga. Se o cliente muda seu comportamento e passa a usar a energia em outros horários, ele otimiza o uso de toda a infraestrutura. Segundo Hernandes, do CPqD, isso permite que as distribuidoras façam um adiamento de investimento, operem com menor sobrecarga, reduzam os custos de manutenção.

Sem um sistema de rede inteligente, a adoção de tarifas diferenciadas por horário, pretendida pela Aneel, pode se tornar pouco eficaz. É preciso conhecer o perfil de consumo dos clientes para saber quanto de energia é consumida ao longo do dia e poder estabelecer os preços de acordo com o consumo. Se o próprio consumidor não souber como utiliza a energia em sua residência ou negócio, ele não tem informações para planejar melhor o uso da energia e usufruir das menores tarifas. Se ele não adota esse comportamento, a rede elétrica não é otimizada e as distribuidoras continuarão precisando fazer investimentos mais pesados. Ou seja, todo o esforço das empresas para migrar ao smart grid se tornará praticamente inútil se o consumidor não aderir às inovações, alertam os executivos da Light e do CPqD. "O cliente precisa estar motivado, acreditar que terá ganho ao aderir à tecnologia. Trata-se de uma mudança tecnológica na qual a adesão do consumidor é fundamental", conclui Hernandes.

Veja, abaixo, a programação do seminário sobre redes inteligentes no Abinee Tec 2011

Visão do Futuro do Smart Grid
Bob Gilligan
Vice President GE Digital Energy

Sistemas que compõem o Smart Grid
Experiência Internacional

Experiência no Brasil
José Gabino Matias dos Santos
Diretor Econômico-financeiro da ABRADEE - Associação Brasileira de Distribuição de Energia Elétrica

Diretrizes Governamentais para o Smart Grid no Brasil
Visão Governamental
Ministério de Minas e Energia
Ildo Wilson Grüdtner
Secretário de Energia Elétrica

ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica
Paulo Henrique Silvestri Lopes
Superintendente de Regulação dos Serviços de Distribuição

ANATEL - Agência Nacional de Telecomunicações
Maximiliano Salvadori Martinhão
Gerente Geral de Certificação e Engenharia do Espectro

ELETROBRAS - Centrais Elétricas Brasileiras
Pedro Luiz de Oliveira Jatobá
Chefe do Departamento de Prospecção de Novos Negócios no Exterior

INMETRO - Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial
Luiz Carlos Gomes dos Santos
Diretoria de Metrologia Legal

Visão da Indústria
Alvaro Dias Júnior
Coordenador do GT Redes Inteligentes da ABINEE

 

Clique aqui para saber mais sobre o Abinee Tec 2011

 


(Fonte: Inovação Unicamp e Abinee - 16/02/2011)

Instituições Associadas

ABIFINA
ABIMO
ABINEE
ABIQUIM
ALANAC
FIEMG
IPD FARMA
SEBRAE