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Biotecnologia é desafio para farmacêuticas

A falta de investimentos em novas fórmulas pela indústria farmacêutica brasileira coloca em risco o futuro sustentável do próprio setor, principalmente em um cenário de avanço da biotecnologia, praticamente inexistente no País.

 

“Globalmente, as inovações estão ocorrendo no setor da biotecnologia. Isso ameaça a fórmula de sucesso recente da indústria brasileira, pois mesmo quando as patentes perdem proteção, os laboratórios nacionais não têm competência para copiar”, aponta o sócio do Boston Consulting Group (BCG), Douglas Woods.

 

De acordo com estudo realizado pela consultoria, nos últimos 15 anos os laboratórios nacionais cresceram por meio da cópia de produtos sintéticos que perderam a patente. Embora esse modelo seja bem sucedido, já se vislumbra um esgotamento. “Houve uma grande onda de produtos blockbusters [grandes marcas] perdendo suas patentes e surgiram cada vez mais novas moléculas pra explorar. Mas agora está ocorrendo uma saturação desse mercado, com cada fórmula tendo vários competidores”, relata.

 

Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (PróGenérico) apontam crescimento de 11,78% no volume de unidades vendidas em 2017, resultado superior ao desempenho do mercado farmacêutico total, que fechou o ano com crescimento de 5,73%. Esse bom resultado, mesmo em um período de crise econômica, faz com que os laboratórios sigam com o mesmo modelo. “Desenvolver novas moléculas requer investimentos e tecnologia. A engenharia de uma molécula já existente não necessita de grande inovação.”

 

Para o CEO da Sanfarma, Luciano de Biagi, as empresas brasileiras deveriam ser mais ousadas em inovações. “Eu acredito que a Lei dos Genéricos é um divisor de águas no mercado brasileiro. Os laboratórios procuram buscar um mercado que já existe e não desenvolvem inovações, o que causa um acirramento da concorrência.” O executivo não vê perspectiva de mudança no curto prazo. “O modelo deve continuar até que as moléculas sem patente sejam exauridas.”

 

O CEO da Aspen Pharma no Brasil, Alexandre França, indica que legislação e burocracia dificultam investimentos em inovação no País. “Existe dificuldade de importar amostras, que muitas vezes ficam retidas na alfândega. As multinacionais preferem desenvolver em laboratórios de outros países, é mais fácil e barato.”

 

Ele explica que a Aspen possui um pequeno laboratório em sua sede, em Serra (ES), que desenvolve apenas extensões de medicamentos. “Nosso centro de pesquisa fica em Port Elizabeth, na África Do Sul. Descobrir uma molécula nova, só lá fora”, conta.

 

Woods aponta como possível solução para o problema as empresas brasileiras entrarem no mercado do biossimilares. “Isso permitiria replicar a atual fórmula de sucesso dentro do mundo da biotecnologia. Existe uma corrida global para desenvolver os genéricos desta classe, conhecidos como biossimilares”, discorre Woods, ressaltando que esse é um processo muito mais complexo, custoso e demorado do que medicamentos de composição química. Ele acredita que a formação de consórcios entre laboratórios nacionais, com apoio do governo, permitiria esse investimento e também o desenvolvimento de novas moléculas. “As empresas nacionais começaram a explorar esse campo. Mas ainda é muito incipiente. Um movimento único em nível nacional seria mais adequado.”

 

 

 

(Fonte: DCI – 07/05/2018)

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