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SENAI

Notícias

Nortec Química

Dedicada à produção de princípios ativos farmacêuticos, a Nortec é exemplo de empresa que investe em pesquisa e desenvolvimento em parceria com universidades e centros de pesquisa, ganhando posição de destaque no cenário brasileiro de fármacos e medicamentos.

A empresa

Criada no início dos anos 80, a Nortec Química é uma empresa dedicada à fabricação de princípios ativos para a indústria farmacêutica. Localizada em Xerém, no município de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, produz mais de 45 princípios ativos voltados para os mercados nacional e internacional. A Nortec tem raízes em sua própria área de Pesquisa e Desenvolvimento. A empresa nasceu em um laboratório dentro da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Atualmente, conta com 15 profissionais especializados.

Por meio de acordos com universidades, a indústria, ao longo dos anos, fez diversos Convênios de Cooperação Científica e Tecnológica, a fim de complementar as atividades realizadas em seus laboratórios de Pesquisa e Desenvolvimento. Entre outros parceiros podemos destacar a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A Nortec é constituída por um grupo de profissionais de formação multidisciplinar. Em seu quadro de funcionários, 40% possuem pós-graduação, com mestrado ou doutorado. Seu portfólio é formado por 49 produtos, dos quais 48 são produzidos através de processos desenvolvidos pela própria empresa. A empresa atende, hoje, demandas de mais de 250 clientes no Brasil e no exterior.

Devido a sua importante atuação no mercado farmacêutico, a Nortec recebeu o Prêmio Liceo de Tecnologia, concedido a empresas brasileiras inovadoras. Além disso, por cinco anos consecutivos, recebeu o Prêmio de Excelência no Fornecimento de Matérias-Primas oferecido pela Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma).

Mercado

Apesar de a introdução dos genéricos ter levado a um crescimento dos laboratórios farmacêuticos nacionais, o setor ainda encontra diversos entraves no que tange à produção de novos medicamentos e ao processo de geração de patentes. De acordo com o diretor de Desenvolvimento da Nortec, Marcus Soalheiro, só em 2006 o Brasil importou US$ 2,5 bilhões em genéricos. Segundo ele, menos de 20% do mercado nacional é suprido por fármacos fabricados no Brasil. "Esta situação é crítica quando comparada com o período anterior à abertura abrupta do mercado, ocorrida a partir do Governo do presidente Fernando Collor de Mello. Na época, a produção brasileira de fármacos supria mais de 60% do mercado farmacêutico", explica.

Para Soalheiro, a partir de 2003, no âmbito da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE), a criação de algumas medidas voltadas para o aumento da capacidade produtiva contribuíram para que a indústria de fármacos se desenvolvesse. Ele cita a Lei da Inovação, a Lei do Bem e os projetos do BNDES, em especial o Profarma, criado para financiar as atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica, como ações que estimulam a produção e contribuem para o fortalecimento das empresas nacionais do setor de fármacos e medicamentos.

Porém, segundo Soalheiro, o Governo teria que fazer mais. Para se chegar a um medicamento novo há a necessidade de investimentos elevados para cobrir os custos com as diversas tentativas, já que, em muitos casos, a taxa de sucesso é baixa. "Tais investimentos só poderiam ser feitos com a ajuda do Governo, como é feito nos países desenvolvidos", exemplifica o diretor.

Competitividade

Apesar de as últimas leis lançadas pelo governo terem contribuído para uma maior proteção ao mercado nacional, Soalheiro destaca que tais medidas não são respostas imediatas para o problema, visto que, para ele, o que faria a produção nacional de farmoquímicos crescer seria o acesso ao mercado, conquistado apenas através da competitividade. "A pesquisa e o desenvolvimento não aumentam a competitividade de imediato e sim em médio e longo prazo. Não é possível assimilar os frutos da inovação em um curto espaço de tempo. Isso leva tempo para ser incorporado à cadeia de produção, principalmente na área farmacêutica", afirma Soalheiro.

Na avaliação do diretor, o mercado está respondendo positivamente crescimento da economia, mas a maior parte do aumento de demanda está sendo suprida pelo crescimento das importações e não pela produção interna. "Este é um dado preocupante. Temos um crescimento da base, de poder aquisitivo, as pessoas com mais acesso aos medicamentos, mas este cenário superficialmente positivo não gera desenvolvimento para o país. Um mercado de consumo que cresce e não gera desenvolvimento tem que ser reavaliado porque está gerando dependência", alerta.

Obstáculos

Apesar do reconhecido espírito inovador brasileiro, a maior parte das empresas nacionais encontra barreiras, internas e externas, quando o assunto é inovação. Para Soalheiro, a criatividade acaba tendo que ser usada fora da cadeira produtiva, já que o verdadeiro desafio é vencer amarras burocráticas, fiscais, tributárias e logísticas, além de outras barreiras regulatórias que os países europeus, por exemplo, não enfrentam quando exportam para outras nações.

"Temos ainda uma fraqueza nacional na cadeia produtiva, visto que não há disponibilidade de intermediários de síntese e outros insumos importantes no Brasil", lembra, identificando a situação como resultado da abertura abrupta do mercado na era Collor. "Outro obstáculo importante ao desenvolvimento da indústria farmacêutica no Brasil é o problema do capital necessário para bancar a maturação do esforço exportador", complementa.

Expectativas

Marcus Soalheiro afirma que a Nortec busca cada vez mais a valorização do setor de Pesquisa e Desenvolvimento e a produção de futuros genéricos, o que reforça as necessidades de uso de uma química cada vez mais inovadora e de mecanismos de gestão do conhecimento.

"Mais uma vez, estamos lançando mão de nossas relações com ICTs para termos acesso aos quadros e recursos necessários. A nossa perspectiva é crescer em saltos, alicerçados no mercado brasileiro e sul-americano, passando a incorporar os frutos de nosso trabalho e exportar consistentemente para os mercados mais regulados da Europa, do Japão e dos Estados Unidos", planeja.

Defendendo a autonomia do mercado nacional de farmoquímicos, Soalheiro diz que o Brasil já possui as capacitações necessárias para fabricar um medicamento "100 % brasileiro", mas, como os custos são muitos elevados, tal sonho fica, ainda, distante da realidade.

"Quero dizer que um esforço concatenado e bem gerenciado dos diversos atores brasileiros envolvidos tem toda a chance de ser bem sucedido. Pode-se imaginar até que este medicamento seja produto da nossa biodiversidade. Note-se que eu falo do processo de desenvolver um medicamento, pois é urgente que se produza um medicamento para as doenças típicas que afligem a população do Brasil", conclui.

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